segunda-feira, fevereiro 28, 2005

Coisas que se dizem! (17)


"Ser "barão" no PSD de hoje é uma oposição entre as estruturas partidárias regionais, política e culturalmente analfabetas, e aqueles que são competentes, quer pela reflexão pessoal como pelas actividades exercidas. Daí que Cavaco Silva, cujo profissionalismo como primeiro-ministro ninguém põe em causa, seja hoje o perfeito exemplo do "barão" que pôs a competência dos políticos acima dos interesses partidários imediatos. Os que apostaram no "quanto pior melhor", dizendo que votavam no partido porque aquele era o seu partido, apenas contribuíram para afundar um barco à deriva. Nesse plano, a posição de Marcelo Rebelo de Sousa foi particularmente desconfortável e isso poderá explicar a inabilidade dos seus atrapalhados comentários televisivos.Contra os barões, claro. E teremos infelizes desconhecidos como o presidente da distrital de Aveiro, Ribau Esteves (quem é?) a pedir um processo a Pacheco Pereira. Mas o melhor foi o Isaltino. Não terá boa imagem , mas humor não lhe falta. Em alusão a Cavaco, disse "depois de tanta gente a falar na boa moeda, gostava de ver onde é que anda a boa moeda". Na Suíça, meu caro Isaltino, em nome de um sobrinho."

Eduardo Prado Coelho no Público em 2005-02-28

Uma grande vitória!


São já quase duas da tarde, quando, finalmente, aterra o avião no Aeroporto do Pico. Chegámos com um atraso de quase cinquenta minutos.
Eu estava ansioso por regressar a casa. Os últimos três dias tinham sido passados na Ilha de São Miguel, por motivos profissionais.
Na viagem de regresso, com escala na Ilha Terceira foi meu companheiro de viagem o “Jaime”. Amigo de longa data, ex-funcionário da SATA e, agora, empresário de grande sucesso na área da restauração – é ele o proprietário do Restaurante ‘A Parisiana’.
No mesmo avião, encontramos a equipa de voleibol feminino da Académica de Coimbra que vem defrontar o Ribeirense, uma equipa de Ténis de Mesa (que não consegui identificar) que provavelmente irá defrontar a equipa dos Toledos, e ainda parte da equipa de Futebol do Santo António que irá defrontar o Futebol Clube da Madalena no Domingo.
Na paragem de escala na Ilha Terceira encontramos mais algumas pessoas conhecidas. Detenho-me uns minutos, antes de voltar a embarcar, à conversa com a Cristina que, regressa para junto do seu Gustavo, no dia em que completa mais um aniversário.
È na Terceira, também, que encontramos a equipa do Oeiras. O nosso adversário do fim de semana. Lá estão o Jorge Vicente, Açoriano como nós, ex-selecionador Nacional, e agora treinador do Oeiras, e a restante comitiva de onde se destaca Rui Lopes, ex-jogador do Benfica e da Selecção Nacional.
Já no avião ficamos (eu e o Jaime) uns minutos à conversa com os Árbitros que vem apitar o jogo de Futebol entre o Futebol Clube da Madalena e o Santo António.
Ao meu lado, entretanto, senta-se um senhor que, com simpatia, brinca com o Jaime dizendo-lhe que anseia chegar ao Pico para ir almoçar à ‘Parisiana’. A cara é-me familiar, mas não me consigo lembrar de onde o conheço.
Finalmente chegamos ao Pico. À minha espera estão a São e o meu Pai.
Entretanto, enquanto as malas não chegam, vou conversando com algumas pessoas que também esperam pela sua bagagem. Enquanto espero lembro-me finalmente de onde conheço aquela ‘cara’ que viajou ao meu lado no avião: é o Sr. Paulo Afonso, um dos árbitros que vem apitar o Hóquei em Patins, o outro é Sr. Filipe Fadiga que, afinal, também vinha no avião.
O dia passa com normalidade. Em poucas horas estou a caminho do Pavilhão para assistir ao jogo. Vou em cima da hora, o que não é habitual (normalmente acompanho a equipa desde a hora da concentração), mas um compromisso a que não poderia faltar a isso me obriga.
Quando entro no Pavilhão já se joga – o jogo começou à breves instantes. A ‘Armada Verde’, como sempre, está a incendiar o Pavilhão com palavras de ordem e gritos de apoio ao Candelária. O público está ao rubro. O Ambiente é fantástico.
O jogo é de resultado imprevisível. O Oeiras é um adversário muito forte, porventura o principal candidato à subida de divisão.
Mas o Candelária entrou muito bem no jogo. Todos estão muito concentrados. Todos sabem exactamente o que devem fazer dentro do campo.
Joga-se ainda à poucos minutos e… Golo! É a primeira explosão de alegria no Pavilhão da Escola Cardeal Costa Nunes. O Candelária está na frente do marcador!
O jogo está vivo, emocionante, nem dou pelo tempo a passar. Em menos de nada já é tempo de intervalo!
Há um sorriso estampado na cara dos jogadores quando entram no Balneário. Estamos a vencer por três a um.
Porém, apesar de satisfeitos com a marcha do marcador, todos tem consciência de que é preciso manter a concentração e o rigor táctico na segunda parte do jogo. O Oeiras não é um adversário qualquer.
A segunda metade do jogo é empolgante. No total marcam-se mais quatros golos, felizmente só um é do Oeiras.
O candelária vence por seis a dois. É mais uma excelente vitória.
Vencer começa a ser um vício… Um vício bom que contagia o público e promove a festa e a alegria!
O observador mais incauto poderá pensar que foi uma vitória fácil. E se quisermos, em verdadeiro rigor, até poderemos considerar que sim. Mas, fácil porque os jogadores, os grandes jogadores, que constituem a equipa do Candelária o souberam tornar fácil. Foi uma grande vitória sobre uma grande equipa. Um excelente jogo de Hóquei em Patins.

sexta-feira, fevereiro 25, 2005

Portugal, hoje. O medo de existir


"Em Portugal nada acontece, «não há drama, tudo é intriga e trama», escreveu alguém num graffiti ao longo da parede de uma escadaria de Santa Catarina que desce para o elevador da Bica. Nada acontece, quer dizer, nada se inscreve – na história ou na existência individual, na vida social ou no plano artístico. Talvez por isso os estudos mais sólidos e com maior tradição em Portugal sejam os que se referem ao passado histórico, numa vontade desesperada de inscrever, de registar para dar consistência ao que tende incessantemente a desvanecer-se (e que, de direito, se inscreveu já, de toda a maneira – mas onde?). curiosamente, aquele graffiti tentava inscrever a impossibilidade de inscrever…"

José Gil in 'Portugal, hoje. O medo de existir'

O filósofo português José Gil foi considerado pela revista francesa Le Nouvel Observateur como um dos 25 grandes pensadores de todo o mundo, ao lado de nomes como Amartya Sen, Peter Sloterdijk, Toni Negri e Simon Blackburn.A edição especial do Nouvel Observateur, que assim assinalou o seu quadragésimo aniversário, pretendeu fazer um levantamento daqueles que, na sua opinião, representam a consciência do tempo actual e são percursores do futuro.

quinta-feira, fevereiro 24, 2005

Baleeiros em Terra!


“Segredos, silêncios, memórias, medos, mistérios. Gente incompreendida de um só rosto, muitas vozes, um só tempo. Um só lugar: Lajes do Pico.”

Sinopse do CD “Baleeiros em Terra” de Sidónio Bettencourt

Baleeiros em Terra” é uma reportagem de rádio da autoria do jornalista Sidónio Bettencourt, com sonorização e pós - produção de Raúl Resendes .
Conquistou os grandes prémios "Reportagem Açores/rádio-95 " " Clube Português de Imprensa-95" e representou a RDP no concurso internacional de rádio " Prémios Ondas da SER-95 " , em Barcelona.
Em CD é uma produção conjunta da Câmara Municipal das Lajes do Pico e do Instituto Açoriano de Cultura.


INFELIZMENTE NÃO ESTÁ À VENDA NA ILHA DO PICO

Momentos (8)

Auto-retrato

Espáduas brancas palpitantes:
asas no exílio dum corpo.
Os braços calhas cintilantes
para o comboio da alma.
E os olhos emigrantes no navio da pálpebra
encalhado em renúncia ou cobardia.
Por vezes fêmea. Por vezes monja.
Conforme a noite. Conforme o dia.
Molusco. Esponja embebida num filtro de magia.
Aranha de ouro presa na teia dos seus ardis.
E aos pés um coração de louça
quebrado em jogos infantis.

Natália Correia

"Over night success"


"De cabelo grisalho e corte à George Clooney, veste-se com extremo bom gosto. A sua preferência por roupas de marca italianas contribui para uma colagem ao paradigma estético do homem da Martini. Aparentemente frio, racional, determinado, senhor do seu nariz, pragmático, meticuloso, e com um "núcleo duro" restrito e inviolável, é quase robótico na forma como se prepara para os grandes desafios.Com um feitio assim, teve de enfrentar acusações diversas, a menor das quais não terá sido a referência insidiosa e persistente às suas preferências sexuais. Para além disso, acusaram-no de ser arrogante e de ter um "currículo" supostamente escasso para tamanha ambição. A verdade é que subitamente, quase da noite para o dia, alcançou um sucesso inimaginável em tão curto lapso de tempo. Os norte-americanos, mais habituados a este tipo de fenómenos, chamam-lhe "overnight success". Estou, evidentemente, a falar de José Mourinho."

Luis Costa no Público em 2005-02-24

Coisas que se dizem! (16)


"A de [Luís Filipe] Menezes é uma candidatura de continuidade com a direcção de Santana Lopes, assente numa variante do mesmo populismo com outro figurante"

José Pacheco Pereira no Público em 2005-02-24

quarta-feira, fevereiro 23, 2005

Sucesso...


"Muita gente confunde sucesso com amealhar dinheiro. Embora o sucesso acabe por levar à riqueza, é muito mais que isso. É uma atitude mental e espiritual - um estado de consciência - de que o dinheiro é um sub-produto acidental. Sucesso é um modo de viver. Estamos neste mundo para ter sucesso como seres humanos. Uma pessoa bem sucedida tem paz de espírito, está satisfeita com os talentos que Deus lhe deu, e sente-se feliz em usá-los e aplicá-los para seu benefício. A procura de uma vida melhor, e a realização de um objectivo digno, é a mais satisfatória das actividades humanas.
(...) Uma vida bem sucedida não é fácil. É construída sobre qualidades fortes - sacrifício, diligência, lealdade e integridade. A corrida nem sempre é ganha pelo mais rápido nem a batalha pelo mais forte; a vitória vai muitas vezes para o mais temerário e o mais persistente. O maior obstáculo no caminho do sucesso não é a falta de inteligência, de carácter ou de força de vontade. É a incapacidade para levar o trabalho até ao fim."

Alfred Montapert, in 'A Suprema Filosofia do Homem'

Estado e Cultura


"A cultura é uma das formas de libertação do homem. Por isso, perante a política, a cultura deve sempre ter a possibilidade de funcionar como antipoder. E se é evidente que o Estado deve à cultura o apoio que deve à identidade de um povo, esse apoio deve ser equacionado de forma a defender a autonomia e a liberdade da cultura para que nunca a acção do Estado se transforme em dirigismo."

Sophia de Mello Breyner Andresen, in 'Assembleia Constituinte, Agosto de 1975'

As nossas ideias ou as dos outros


"Todos os homens vivem e agem, em parte, segundo as suas próprias ideias e, em parte, segundo as ideias alheias. Uma das principais diferenças que existem entre os seres humanos consiste na medida em que se inspiram nas suas próprias ideias ou nas dos seus semelhantes. Uns limitam-se a servir-se das suas ideias como de um jogo intelectual, usam a razão como a roda de uma máquina da qual houvessem tirado a correia transmissora, submetendo os actos às ideias dos outros, ou seja, aos seus costumes, tradições e leis. Outros consideram que as suas ideias constituem o principal motor da actividade que desenvolvem e quase sempre obedecem às exigências da sua razão. Só de vez em quando, depois de uma apreciação crítica, se guiam pelas normas dos outros."

Leon Tolstoi, in 'Ressurreição'

Momentos (7)


"Os homens são como as moedas; devemos tomá-los pelo seu valor, seja qual for o seu cunho."

Carlos Drummond de Andrade

Coisas que se dizem! (15)


“O nome do actual governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, como futuro ministro das Finanças, é uma das hipóteses que José Sócrates persegue como trunfo principal do novo Governo de Portugal. (…) Para além da surpresa Constâncio, há outras personalidades dadas como incontornáveis no Governo e no seu núcleo político. Pedro Silva Pereira, braço direito de Sócrates, é o mais óbvio, sendo apontado para ministro-Adjunto do primeiro-ministro. (…)
Há dois outros nomes apontados como incontornáveis no núcleo duro, António Costa e António Vitorino. (…) Ontem, a TVI veiculou outra surpresa: Freitas do Amaral rumar aos Negócios Estrangeitos.
(…) Valadares Tavares, que Santana Lopes, queria incluir no seu executivo, era outro dos nomes ventilados para a Educação.

João Ferrão, uma das figuras preponderantes do Fórum Novas Fronteiras, é apontado como hipótese para o Ambiente e Ordenamento do Território.”

Paula Esteves n’O Comércio do Porto em 2005-02-23

terça-feira, fevereiro 22, 2005

Memórias do Porto Velho! (2)


Memórias do Porto Velho! (1)

Monumento ignorado

O moirão de fora
é a âncora da ilha,
nele se enrola
toda a esperança de vida.
E quando o cais
fica coberto
de mar suspenso na demora,
entra a lancha
no vagalhão
e firma-se a confiança
na firmeza do Gilberto!

Terra Garcia

Coisas que se dizem! (14)


"(...)Entre os vencedores conta-se com toda a justiça José Pacheco Pereira. Foi o militante do PSD que desde o princípio se apercebeu claramente do festival de incompetência e de populismo que iria ser o governo de Santana Lopes. Tendo mantido uma firme e constante oposição à sua liderança, resistiu também ao oportunismo de intervir na campanha eleitoral, como outros fizeram à última hora, quando a derrota de Lopes era irreversível (como sucedeu com Marcelo R. de Sousa e Cadilhe, para não falar em Durão Barroso). É o triunfo da clarividência e da coerência (...)"

Vital Moreira no Público em 2005-02-22

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

Epopeia escrita no basalto...


"(...) a Madalena, na sua humildade primitiva (...) medrou e cresceu no contexto picoense porque se creditou como chave natural das comunicações, uma das alavancas básicas para o progresso.
Mas, regressando à principal determinante da sua existência e desenvolvimento, façamos uma reflexão para imaginar que quantidade de mão de obra, engenho, esforço, sacrificio, tenacidade, resistência, numa palavra, capacidade anímica, foram necessários para se arrancar da terra pedrosa o seu sustento, escavar na rocha os poços de maré da sua sobrevivência, rasgar uma rede de caminhos pelas pedreiras onde se afundaram os sulcos dos rodados dos carros de bois, esculpir nas penedias um rosário de portinhos e roladouros para movimentar a cascadura com o vinho precioso, edificar muralhões para suster as investidas do mar alteroso e, sobretudo, à mesma a braço hercúleo, recobrir milhentos hectares de biscoito e magma consolidado com uma teia única no Mundo, interminável quadrícula de pedregulhos arrancados ao solo, arrumados com surpreendente mestria em paredes divisórias, 'canadas' - com os seus 'traveses' a limitar 'currais' - que, alinhadas uma a seguir às outras, (contas feitas em trabalho de campo), dariam em pleno Equador uma volta e meia ao Globo Terrestre!
É, simplesmente, espantoso!...
Porém para encerrar esta resenha, obra mestra da gesta picarota, que nunca nos cansaremos de exaltar, forçosamente teremos de evocar os verdadeiros monumentos que são os nossos 'Marouços'.
(...) Os 'Marouços' ou 'Maroiços' foram uma ingente tarefa, de geração atrás de geração, a que todo o agregado familiar se entregava afanosamente, os mais fortes e sadios extraindo e partindo os rochedos, enquanto os restantes, velhos, mulheres e crianças, cada qual de acordo com a sua valia, às costas ou à cabeça, iam chegando os materiais para junto dos encarregados de urdir a estrutura em socalcos cada vez mais estreitos ao aproximarem-se do topo.
Era uma 'desprega' total, mas a fina camada de pó escuro que restava destinava-se não para plantar vinha, mas para fazer crescer o milho, as batatas, os feijões, as favas, as abóboras, etc. para a sua subsistência.
Constituía uma corrida contra a fome!
Este capítulo (...) simboliza para nós uma das páginas mais significativas da nossa Epopeia, escrita no basalto, com basalto."

Dr. Tomaz Duarte Jr. in "O Concelho da Madalena - Subsídios"

Coisas que se dizem! (13)


"A histórica vitória do Partido Socialista nas eleições legislativas significa não uma arrebatadora paixão do eleitorado por José Sócrates, mas uma enorme rejeição da governação de Santana Lopes. O povo português percebeu - e percebeu bem - que seria uma tragédia para Portugal a continuação desta experiência governativa e votou em conformidade. Também por isso Jorge Sampaio é um dos grandes vencedores da noite eleitoral. Os resultados mostram que teve toda a razão em convocar eleições e dar ao eleitorado a possibilidade de se pronunciar.
José Sócrates ganhou, conseguindo uma votação nunca antes alcançada pelo Partido Socialista. Fez o que nem Mário Soares nem António Guterres conseguiram. Quebrou o mito de que um partido de esquerda nunca obteria, sozinho, uma maioria absoluta. O líder do PS é, indiscutivelmente, o grande vencedor da noite.

(...) A CDU e o Bloco de Esquerda são os outros vitoriosos. Provou-se que Jerónimo de Sousa foi a grande surpresa da corrida eleitoral - e que é um líder que diz muito mais à base do PCP do que Carlos Carvalhas. Por seu turno, o Bloco não conseguiu o seu objectivo de evitar uma maioria absoluta do PS - mas mais que duplicou o seu grupo parlamentar (de 3 para 8) e em vários círculos ora se colocou à frente do PP, ora ficou acima da CDU. Francisco Louçã é outro dos vitoriosos da noite eleitoral."

Nicolau Santos no Expresso on-line em 2005-02-21

Dotado de Verdadeira Virtude


"O que é dotado de verdadeira virtude tem os seus males por fora, os seus bens por dentro. Pelo contrário o amigo de glória vã, o hipócrita, o mundano, os seus males estão por dentro, porque são verdadeiros; e os seus bens por fora, porque são imaginados, e aparentes. Entre todas as virtudes somente a humildade se ignora a si mesma: como traz os olhos baixos, e fitos no abismo do seu nada, não reflecte sobre o seu conhecimento, porque o verdadeiro humilde não presume que o seja."

Manuel Bernardes, in 'Luz e Calor'

Sábado de Emoções fortes!


Sábado – são 19.30 horas, um a um todos já chegaram ao Pavilhão.
Eu também, de camisola de lã e casaco, maldita gripe!
O ritual que antecede os jogos não se altera. Em pouco minutos todos estão equipados. Decorre o período de aquecimento e, como que por encanto, já é hora de começar o jogo.
Do outro lado está a Física de Torres. Do outro lado está um adversário organizado disposto a discutir o resultado. Disposto a tentar a vitória ou, em ultimo caso, a vender muito cara a derrota.
Os Árbitros, bem!!?! …os Árbitros são dois velhos conhecidos (nesta fase serão poucos os desconhecidos). Não sei se será implicação minha, ou se serei alérgico a determinados árbitros, mas estes, até pelo que lhes conhecemos do passado, não me inspiram nenhuma confiança.
O Pavilhão está cheio. O Público afluiu em grande número. Todos querem ver a sua equipa. A Armada Verde entoa palavras de ordem e cânticos de incentivo (a fazer lembrar as claques dos grandes clubes de futebol).
O Jogo começa. O barulho é ensurdecedor, o público apoia com entusiasmo a equipa do Candelária.
Entramos bem no jogo, estamos a jogar melhor e a dominar o jogo, o Física limita-se a defender, mas… Contra-ataque, remate de meia distância e Golo! Golo do Física! Maldito remate que ninguém esperava pudesse ser golo!
O jogo continua. Os minutos sucedem-se. Diria mesmo que o tempo voa.
É tempo de intervalo. Dirigimo-nos em passo apressado para o balneário. Estamos todos um pouco incrédulos com aquilo que está a acontecer. O Física vence por dois a um!
O Candelária está a dominar o jogo, tem mais posse de bola, atacou mais, e o Física tem-se limitado a defender. Mas mesmo assim o resultado é desfavorável.
A palavra de ordem para a segunda parte do jogo é Confiança. Todos acreditamos nas nossas capacidades. A aposta é, obviamente, dar a volta ao resultado.
Recomeça a segunda parte. Bola cá – bola lá. Golo cá – golo lá. Auto-golo.
O tempo voa, o público começa a desesperar, mas não desarma. O apoio ao Candelária é incondicional. A bancada faz-se ouvir a plenos pulmões. Os nervos estão à flor da pele. Impera a emoção.
Faltam pouco mais de quatro minutos para o final e… Malditos “físicos”, vencem por cinco a três!
Começa a ser muito difícil. A pressão é enorme. Mas maior é a força de vontade, e espírito de sacrifício dos nossos jogadores.
Nada, nem ninguém, nos impede de continuar a acreditar.
Golo! Golo do Candelária! Cinco a quatro, a Física continua em vantagem. O Público na bancada está ao rubro.
O cronómetro não pára. O final do jogo aproxima-se a passos largos.
Cinco a cinco. O jogo está empatado!
Na Bancada já ninguém consegue estar sentado. O Barulho é ensurdecedor. Os últimos minutos decorrem ao som de palmas e gritos de incentivo!
Seis a cinco. GOLO! É a explosão de alegria!
Pouco mais de um minuto para o final do jogo e o Candelária está na frente do marcador.
O público aplaude de pé. O ambiente é de grande felicidade, de grande emoção!
Já falta menos de um minuto e… Malditos Árbitros! Eu bem sabia, não se pode confiar nestes senhores do apito. È grande penalidade contra o Candelária.
Grande Gustavo. Decisiva defesa.
Os poucos segundos que restam demoram uma eternidade a passar. O Jogo termina e… nova explosão de alegria!
Está ganho. O ar de felicidade está estampado no rosto de todos.
Que grande vitória!
As onze da noite já lá vão. Todos estamos mais calmos, um pouco cansados, mas com a firme convicção do dever cumprido.
A força de vontade e o enorme espírito de sacrifício de todos valeu mais uma muito sofrida, mas grande vitória!

sexta-feira, fevereiro 18, 2005

O Concelho da Madalena


"Que a história do Concelho da Madalena, mais que nos papéis, está gravada em pedra:
Na colossal malha de divisórias e abrigos de 120 Km2 de campinas do «verdelho antigo»;
Nos sulcos profundos dos rodeios dos carros de bois rasgados nos lajidos por onde transitaram biliões de Kgs. de cachos vindimados;
Nas cantarias, denegridas pela rociada, de vivendas, igrejinhas, balcões e varandas, abrigos de corpos e almas, repouso e regalo das familias em vilegiatura;
Nas pias de lavar escavadas num só calhau, à ilharga dos poços de água salobra, uns quase rasos com a maré, outros aprofundados na escuridão da Terra e nos descansadouros para «desajuda» das cargas transportadas à cabeça;
Na cadeia de portinhos e varadouros, talhados na rocha viva, para o vaivém de cascos atestados e retorno de vasilhame, mais os paredões de quebra-mar, tudo afagado a poder de braço e picão;
Nos lagares de lajas inteiriças de grão fino, espezinhadouros do mosto opalino que escorria das bicas fecundas sob a espremedura dos pesos maciços lavrados a preceito;
E, sobretudo, nas soberbas mastabas dos «maroiços», monumentos ímpares e admiráveis, sagrados por rios de suor transformado em pão!"

Dr. Tomaz Duarte Jr. in 'O Concelho da Madalena - Subsídios'

Património Arquitectónico


São várias as Vilas e Cidades Açorianas, cujo património arquitectónico edificado tem indiscutível valor histórico e cultural, atingindo-se o expoente máximo em Angra do Heroísmo, cidade cujo centro histórico está classificado pela UNESCO como Património da Humanidade.
Angra é, sem dúvida, o exemplo de referência, pelo meritório trabalho de preservação e restauro do património arquitectónico coordenado pelo Gabinete da Zona Classificada da Cidade em perfeita sintonia com os poderes públicos e interesses privados.
Existem, porém, outras Vilas e Cidades, na nossa Região, cuja herança arquitectónica tem sido mantida e preservada. Existe cada vez mais a consciência de que a preservação dos nossos edifícios “antigos” é, ao fim e ao cabo, a preservação da nossa identidade histórica, daquilo que fomos, do que são as nossas origens, e daquilo que pretendemos projectar no futuro.
A Vila da Madalena, apesar de estar longe de ser uma referência nesta área, tem vários edifícios de inquestionável valor histórico e arquitectónico que importa serem recuperados e preservados. Um dos poucos exemplos, mas porventura o mais feliz, de recuperação do nosso património arquitectónico são as obras de recuperação da Igreja Matriz de Santa Maria Madalena, recentemente concluídas.
Felizmente o edifício da nossa Igreja Matriz não é caso único. Existem outros, poucos, bons exemplos, como o são o edifício onde está instalado o Museu do Vinho, o edifício da Câmara Municipal da Madalena, e, de uma forma geral, praticamente todas as Igrejas do Concelho.
São vários também, já, apesar de ainda poucos, os particulares que dedicam especial atenção à recuperação de imóveis antigos, havendo alguns bons exemplos um pouco por todo o Concelho. Neste caso o exemplo mais bem conseguido será porventura o edifício da Rua Ouvidor Medeiros – junto à zona balnear da Areia-Funda, que é propriedade dos Herdeiros do, saudoso, Dr. Tomás Duarte Júnior.
Existem, porém, e em número considerável, diversos edifícios e/ou conjuntos arquitectónicos em avançado estado de degradação, alguns já mesmo em ruínas, que merecem, ou pelo menos deveriam merecer, outra atenção.
Os exemplos são mais que muitos, mas, até porque o texto já vai longo, detenhamo-nos apenas em alguns:
Desde logo, pela sua localização, todo o conjunto arquitectónico da Rua Ouvidor Medeiros, cujos edifícios, todos centenários, estão em ruínas, ou em risco de ruir a qualquer momento. Trata-se de uma artéria onde está vedado o trânsito automóvel, em pleno Centro da Vila da Madalena, o que lhe deveria conferir o estatuto de zona privilegiada, quiçá até de zona nobre, pela sua relação próxima com o mar e pelo valor histórico dos seus edifícios. O cenário de abandono e de ruína é, porém, por demais evidente;
Detenhamo-nos, também, na Casa Conventual sita ao lugar dos Toledos, cujo ex-proprietário era o nosso querido amigo e saudoso Eng. Manuel Augusto da Costa, agora propriedade da Paróquia da Madalena. É um edifício de inequívoco valor histórico e cultural. O tecto desabou à muito, e a restante estrutura ameaça ruir a qualquer momento;
Outro exemplo, ainda, é o edifício sito ao lugar do Guindaste, na Freguesia da Candelária, onde terá morado (talvez até nascido) o primeiro Presidente da República Portuguesa, Manuel de Arriaga. O estado de degradação é evidente;
E muitos mais exemplos poderíamos citar, como por exemplo todo o conjunto arquitectónico do lugar do Cachorro…
Fica, assim, aqui, um grito de alerta a quem de direito, sejam entidades públicas ou privadas!
É urgente começar a olhar para o nosso património arquitectónico de outra forma.
É a nossa identidade histórica que está em causa.

Personalidade


A personalidade é coisa assaz misteriosa. Nem sempre podemos analisar o homem pelo que faz: às vezes ele observa a lei e, no entanto, não possui valor, outras, infringe-as, e no entanto é grande.

quinta-feira, fevereiro 17, 2005

O silêncio a meio do ruído


"Se o sucesso político se faz de uma boa gestão dos silêncios, como cada vez mais se defende e regista por aí, então, Jerónimo de Sousa está lançado. A sua prestação no momento decisivo (tanto quanto há ainda algo a decidir), no único debate entre todos os líderes dos partidos com assento parlamentar, foi de uma virtude e de uma invenção há muito desaparecidas da cena política nacional. Santana, perto dele, é um menino de coro. Ainda tem tudo a aprender sobre a arte da auto-fragilização. Bem apregoou que andava com gripe, mas ninguém lhe notou a rouquidão da voz, a palidez da pele, o recuo para além do que mostra a pantalha televisiva. Acredito, como é óbvio, que Jerónimo estivesse genuinamente doente e que tenha sofrido com a situação e passado a noite em claro massacrado pelo embaraço: sangrar diante do inimigo – a violação de uma regra básica em qualquer combate. Falhar no Dia «D». Maldita gripe! Maldito azar!
E, no entanto, se este debate será recordado pelo futuro, sê-lo-á, seguramente, por este acontecimento. E, se a CDU não conquistou aqui alguns votos, ganhou, por certo, uma simpatia por que já ninguém esperava. É o lado materno do ser humano, a piedade, o compadecimento. A verdade é que Jerónimo soube aproveitar-se da situação: «Falta-me a voz, mas não a esperança»; «Se não conseguir dizer mais nada, que diga, ao menos, isto» – palavras que soube arquitectar e deixar no ar, antes do abandono da emissão. E ainda obrigou os adversários a gastar preciosos segundos dos seus discursos finais com referências a si, à sua debilidade física e aos desejos de melhoras. Se não estava doente e tudo não passou de uma encenação, então, ainda merece maior aplauso. Jogada de mestre. E, afinal, como acrescentaria Aristóteles: «Se o que vais dizer não é mais belo que o silêncio…»"

Alexandre Borges na edição digital d'A Capital em 2005-02-17

Coisas que se dizem! (12)


"Se não costuma votar, leia esta carta», lê-se no envelope. Costumo votar, mas a carta está na minha caixa do correio, abro-a. Apenas para descobrir propaganda assinada por Santana Lopes (...) Num tom de «Você ganhou acesso ao sorteio!», começa por dizer «Não pare de ler esta carta», porque «se o fizer, fará o mesmo que o Presidente da República fez a Portugal, ao interromper um conjunto de medidas...» etc, etc. Mas o pior vem depois. Linhas abaixo, escreve-se: «Você não costuma votar, e não é por acaso./ Afastou-se pelas mesmas razões que eles nos querem afastar./ E quem são eles?» É uma boa pergunta, (...) A resposta, naturalmente, é «alguns poderosos» que não são nomeados (...) Por fim, num lacrimejante exercício de vitimização, este primeiro-ministro anti-sistema vem ainda bradar, a tinta carregada: «Tenho defeitos como todos os seres humanos, mas conhece algum político em Portugal que eles tratem tão mal como a mim?» Para daí tirar a conclusão: «Também o tratam mal a si... / Ajude-me a fazer-lhes frente.» É miserável ver o PSD nisto, no jogo da demagogia grau-zero em que vale tudo mas mesmo tudo. «Se não costuma votar, leia esta carta» – vai ver que não resiste a votar contra quem a escreveu."

Jacinto Lucas Pires na edição digital d'A Capital em 2005-02-17

Amar


Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,

amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal,
senão rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o cru,

um vaso sem flor,
um chão de ferro,

e o peito inerte, e a rua vista em sonho,
e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa
amar a água implícita,
e o beijo tácito,
e a sede infinita.


Carlos Drummond de Andrade

A suprema felicidade...


"A suprema felicidade da vda é a convicção de ser amado por aquilo que você é, ou melhor, apesar daquilo que você é."

Victor Hugo

Momentos (6)

Falavam-me de Amor

Quando um ramo de doze badaladas
se espalhava nos móveis e tu vinhas
solstício de mel pelas escadas
de um sentimento com nozes e com pinhas,

menino eras de lenha e crepitavas

porque do fogo o nome antigo tinha
se em sua eternidade colocavas
o que a infância pedia às andorinhas.

Depois nas folhas secas te envolvias
de trezentos e muitos lerdos dias
e eras um sol na sombra flagelado.

O fel que por nós bebes te liberta
e no manso natal que te conserta
só tu ficaste a ti acostumado.

Natália Correia - 'O Dilúvio e a Pomba' - Publicações D. Quixote, 1979

Coisas que se dizem! (11)


"(...) porventura o mais traumático dos aspectos aborrecidos desta campanha é uma inevitabilidade antropológica. O facto dos assuntos, dos acontecimentos, dos números, se prestarem quase sempre a duas interpretações, duas visões, duas posições diferentes dá cabo do telespectador. O telespectador raramente consegue saber, verdadeiramente, por exemplo, se os últimos governos de coligação fizeram ou não subir o defice, se há ou não sinais de recuperação da economia, se se conseguiu ou não reduzir os custos do Serviço Nacional de Saúde.
O caso da isenção de impostos na fusão dos bancos Totta/Santander/Crédito Predial, suscitado por Louçã no debate da RTP, é particularmente emblemático disso. Julgávamos ter ali um escândalo, esfregámos as mãos, um escândalo finalmente, os próprios moderadores rejubilaram, e no fim, ontem, apercebemo-nos que não é bem assim. Nunca é bem assim. Ora aparecia um especialista a dizer que se tratava de um privilégio vergonhoso do grande capital; ora aparecia outro a dizer que não, que era assim há muito tempo e estava tudo bem."


Ricardo Dias Felner no Público em 2005-02-17

O Ciclo do Progresso


"Da sociedade e do luxo que ela engendra, nascem as artes liberais e mecânicas, o comércio, as letras, e todas essas inutilidades que fazem florescer a indústria, enriquecem e perdem os Estados. A razão desse deperecimento é muito simples. É fácil ver que, pela sua natureza, a agricultura deve ser a menos lucrativa de todas as artes, porque, sendo o seu produto de uso mais indispensável para todos os homens, o preço deve estar proporcionado às faculdades dos mais pobres. Do mesmo princípio pode-se tirar a regra de que, em geral, as artes são lucrativas na razão inversa da sua utilidade, e de que as mais necessárias, finalmente, devem tornar-se as mais negligenciadas. Por ai se vê o que se deve pensar das verdadeiras vantagens da indústria e do efeito real que resulta dos seus progressos. Tais são as causas sensíveis de todas as misérias em que a opulência precipita, finalmente, as nações mais admiradas.
À medida que a indústria e as artes se estendem e florescem, o cultivador desprezado, carregado de impostos necessários à manutenção do luxo, e condenado a passar a vida entre o trabalho e a fome, abandona o campo para ir procurar na cidade o pão que devia levar para lá. Quanto mais as capitais impressionam de admiração os olhos estúpidos do povo, tanto mais seria preciso lastimar o abandono dos campos, as terras incultas e as estradas cheias de cidadãos desgraçados transformados em mendigos ou ladrões, e destinados um dia a acabar a sua miséria pelos caminhos ou sobre um monte de esterco. É assim que o Estado se enriquece por um lado, e se enfraquece e se despovoa, por outro, e que as mais poderosas monarquias, após muitos trabalhos para se tornarem opulentas e desertas, acabam por se tornar a presa de nações pobres que sucumbem à funesta tentação de as invadir, e que são invadidas e enfraquecem por sua vez, até que elas mesmas sejam invadidas e destruídas por outras."


Jean-Jacques Rousseau, in 'Discurso Sobre a Origem da Desigualdade'

A Solidão em Perspectiva


"É exactamente porque não há solidão que dizes que há solidão. Imagina que eras o único homem no universo. Imagina que nascias de uma árvore, ou antes, porque eu quero pôr a hipótese de que não há árvores, nem astros, nem nada com que te confrontes: supõe que o universo é só o vazio e que tu nascias no meio desse vazio, sem nada para te confrontares. Como dizeres «eu estou sozinho»? Para pensares em «eu» e em «sozinho» tinhas de pensar em «tu» e em «companhia». Só há solidão «porque» vivemos com os outros..."

Vergílio Ferreira, in 'Estrela Polar'

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

Coisas que se dizem! (10)


"(…) A brincar, a brincar, se dizem coisas sérias. O drama de Jerónimo serve um pouco como a imagem trágica de um partido que já não diz, nas ruas, que «ninguém calará a voz da classe operária». A sua infelicidade é uma metáfora, mas, também, uma pequena benesse: o eleitorado espectador sentiu-se embaraçado por ele. E por ele sentiu a simpatia que se sente por um clube simpático. (…) A gravata de Santana é uma resposta corajosa aos bispos que o acusaram de se ter aproveitado politicamente da morte da irmã Lúcia. Ou, talvez, a suprema lata, de que só ele seria capaz, de insistir numa pequena hipocrisia eleitoralista. Das duas uma, e cada eleitor fará o seu juízo.
A cassete de Portas e Santana, sobre a fuga de Guterres, parece ser a explicação para todos os males do País. Seremos obrigados a concluir que gostavam do governo de Guterres. Que, por tanto o condenarem por ter fugido, pensarão que Portugal estaria melhor sem essa fuga…
O debate mostrou, sobretudo, um duelo, um engasganço e duas desilusões. Comecemos pelas últimas (do engasganço não valerá a pena falar mais): Francisco Louçã e Pedro Santana Lopes. (…) O duelo existiu entre Paulo Portas e José Sócrates. Pareciam o primeiro-ministro e o challenger. O despique, se houve despique, foi entre os dois.
(…) É duvidoso que o debate tenha contribuído para transferir um único voto, ou levar um único abstencionista às urnas. Mas entre os indecisos, pode ter havido mexidas. Veremos quais, no próximo domingo."

Filipe Luís na Visão on-line em 2005-02-16

Fátima Madruga

Baleias e Baleeiros

Ignorância Atrevida


"É a ignorância profunda que inspira o tom dogmático. Aquele que nada sabe pensa ensinar aos outros o que acaba de aprender; aquele que sabe muito mal chega a pensar que o que diz possa ser ignorado, e fala com maior indiferença. As maiores coisas só precisam de ser ditas de forma simples; elas estragam-se com a ênfase: é preciso dizer nobremente as pequenas; elas só se sustentam pela expressão, pelo tom e pela maneira."

Jean de La Bruyére, in 'Os Caracteres'

Momentos (5)

Letra para um hino

É possível falar sem um nó na garganta.
É possível amar sem que venham proibir.
É possível correr sem que seja a fugir.
Se tens vontade de cantar não tenhas medo: canta.
É possível andar sem olhar para o chão.
É possível viver sem que seja de rastos.
Os teus olhos nasceram para olhar os astros.
Se te apetece dizer não, grita comigo: não!
É possível viver de outro modo.
É possível transformar em arma a tua mão.
É possível viver o amor. É possível o pão.
É possível viver de pé.
Não te deixes murchar. Não deixes que te domem.
É possível viver sem fingir que se vive.
É possível ser homem.
É possível ser livre, livre, livre.

Manuel Alegre

O Debate a 5!

O efeito Jerónimo de Sousa

"A surpresa - pela positiva, pela negativa, por tudo - vai para Jerónimo de Sousa. Não era com este debate que o PCP e CDU perderiam ou ganhariam votos. Mas a empatia gerada para com o líder comunista é inquestionável. Há uma simpatia, um sentido de honestidade e clareza que não podem ser negados. Saiu afónico no recomeço da segunda parte. E esse incidente de saúde teve o dom de humanizar o debate. Todos os presentes se preocuparam com o que se passou com Jerónimo de Sousa. Falou até que a voz lhe doesse. Fez da adversidade – a surpresa negativa - um aliado. Proferiu uma curta declaração e abandonou a mesa. Um cavalheiro."

Filipe Rodrigues da Silva no Diário Digital em 2005-02-16

Coisas que se dizem! (9)


"(...) a vida de Lúcia representa, no fundo, a metáfora do Portugal que somos.
Um país temente a Deus, mesmo que o não creia. Um país enclausurado na sua capacidade de sonhar, incapaz de ler o seu destino e o mundo para além dos milagres. Incapaz de viver na terra, pisá-la de pé firme, sem a certeza dos céus e da remissão dos pecados.

A forma como a notícia do falecimento de Lúcia entrou na campanha eleitoral também nos coloca diante do espelho. (...) É a beatice pegada de quem sabe apenas, e de raspão, a catequese do eleitoralismo salazarento, encarneirado, de «pais nossos» e «avés marias», assim na terra como no…mar, contra o défice e o barco do aborto. É uma colagem emocional onde só o racional deveria impor-se, ao menos por pudor.
(...) Estes políticos de capelinha, verdadeiros cromos da província camiliana ou da pantomineira urbe queirosiana, não têm limites para a caricatura. Dão-se ao traço e à sem-vergonhice de semblante carregado. Não merecem sequer o luto que declaram. Nem o voto, digo eu. Mas isso são contas de outro rosário."


Miguel Carvalho na Visão on-line em 2005-02-15

Momentos (4)


O Pico é a mais bela, e extraordinária ilha dos Açores, duma beleza que só a ela lhe pertence, duma cor admirável e com um estranho poder de atracção. É mais que uma ilha — é uma estátua erguida até ao céu e moldada pelo fogo — é outro Adamastor como o do Cabo Tormentas.

Raul Brandão

terça-feira, fevereiro 15, 2005

Coisas que se dizem! (8)


"Na ausência de polémicas sérias relacionadas com a campanha (ou seja, com o futuro de Portugal, pois é ele que está em jogo, no próximo dia 20 e depois dele), surgiu agora uma outra, derivada de uma perda para a comunidade religiosa. (...) em casos análogos, na morte de personalidades de indiscutível relevo na vida nacional, como a poeta Sophia de Mello Breyner Andresen ou a ex-ministra Lourdes Pintasilgo, o Estado não se dignou a desnivelar uma só bandeira. Também não o fez por Fernando Vale, que devia ter merecido maior homenagem dos seus concidadãos. Fê-lo, sim, por Amália, diva unânime e de assegurada projecção mediática, não se sabe se por lamentar assim tão profundamente a sua morte ou se para não se apagar do espectáculo que ela inevitavelmente gerou. (...) importa lembrar que, quando Amália morreu, havia uma campanha eleitoral em curso, para as legislativas de 1999. Não foi interrompida, apenas suavizada. Houve votos de pesar, e muitos, mas ninguém calou as suas mensagens políticas. Faltavam dois dias para a campanha acabar. Agora faltam quatro e pelo menos dois foram apagados voluntariamente por dois partidos que quiseram assim exibir o seu pesar em público. Má ideia: não se livraram de (mais que justas) acusações de oportunismo por parte de sectores católicos. E não só os tradicionalmente ligados à esquerda. Vejam-se, por exemplo, as declarações de D. Januário Torgal Ferreira ou D. Manuel Martins, ambos críticos desta confusão inusitada entre obrigações cívicas e manifestações religiosas. Basta, aliás, atentar nisto: na ordem dos Padres Carmelitas Descalços, onde vivia Lúcia, a sua morte já era esperada há uns dias. Santana Lopes, no entanto, quando reagiu à notícia, disse: "A morte da Irmã Lúcia é uma notícia impressionante que constitui um momento impressionante para Portugal e para o mundo." Serão precisas mais palavras?"

Nuno Pacheco no Público em 2005-02-15

A fragilidade das ideias


"Uma «ideia» pode levar ao obscurecimento das sensações e distrair da realidade corrente (...) mas nenhuma «ideia» tem a força de nos arrebatar a um ponto tal que não paremos de repente perante um facto impressionante e não lhe sacrifiquemos tudo o que, durante anos de trabalho, tenhamos feito em prol da «ideia». "

Fiodor Dostoievski, in 'O Adolescente'

segunda-feira, fevereiro 14, 2005

Um Domingo em cheio!


São nove e meia da manhã!
Estamos, todos, no cais da Madalena, uns mais sonolentos que outros, preparados para embarcar, com destino ao Faial.
Pela primeira vez, em muitos meses, estamos já todos a bordo do Cruzeiro do Canal, e constatamos que alguns colegas estão a ficar desplicentes - esqueceram-se do B.I.. Para quem as viagens de avião já se tornaram uma rotina, não é um esquecimento normal.
Acabamos todos por rir, e esperamos que o esquecimento possa ser bom presságio.
Já no Faial, rumamos ao aeroporto. O destino final é Lisboa. Mais tarde será Sintra.
O check-in decorre com normalidade, e por estranho que possa parecer, a ausência dos B.I.'s acaba por não acarretar nenhum impedimento.
À hora a que escrevo estas linhas, acabámos de chegar da Rua. Já não resta nenhum Bar aberto em Sintra. Detivémo-nos por alguns momentos a observar o Castelo dos Mouros que, iluminado no alto da serra, parece estar supenso no ar. Um espectáculo inolvidável que nos prende a atenção por largos minutos, e suscita os mais variados comentários.
Mas voltemos ao aeroporto da Horta. Está quase na hora de embarcar, e um colega faz uma estranha dissertação sobre a importância das namoradas/mulheres enquanto "donas de casa"... ainda tentamos chamá-lo á razão mas ...
Embarcamos e, duas horas e meia depois estamos a chegar a Lisboa. As quatro da tarde já lá vão e desesperamos pela bagagem que não chega. Temos jogo às seis e meia em Sintra, e o trânsito é uma absoluta incógnita. Felizmente tudo corre bem... a bagagem acaba por chegar e o trânsito afinal não está tão mau como haviamos pensado.
Para mim o Pavilhão do Nafarros (equipa que vamos defrontar) é uma completa novidade, mas acaba por se revelar uma agradável supresa.
Chegamos com tempo, ainda falta uma hora e quinze minutos para o início do jogo.
Não me sai da memória a imagem do Castelo dos Mouros suspenso no ar. Mas, voltemos ao jogo.

É o primeiro jogo da segunda fase. É muito importante começar bem, e todos temos consciência disso. Está em discussão a subida à primeira divisão nacional de Hoquei em Patins.
Começam o jogo os seguintes jogadores: Gustavo Dias, Ricardo Silva, Ricardo Santos, Jorge Maceda e Mauro Fernandez.
O árbitro é um velho conhecido... pelos piores motivos!
O tempo voa. Em menos de nada já é intervalo. Na primeira parte, o jogo teve cinco golos.
Chegamos ao Balneário e ninguém consegue disfarçar um sorriso de satisfação. já estamos a vencer por cinco a zero.
Na segunda metade do encontro todos tem oportunidade de brilhar. só mesmo o Rui (o nosso 'pipoca', com a sua, inseparável, fotografia do Lucas) acaba por não sair do banco.
O jogo termina com um resultado de dois para o Nafarros e seis para o Candelária. Reina a felicidade - tudo correu bem.
O jogo já terminou á alguns minutos e, ao telefone com a minha mulher, tomo conhecimento do entusiasmo do nosso reporter, e amigo, Jorge Terra, durante todo o relato. O Jornalista, da Rádio Pico e do Ilha Maior, (nosso companheiro de aventuras e desventuras) viveu com grande entusiasmo as incidências do jogo, com particular destaque para as superiores defesas do Gustavo.
Rumamos ao Hotel. Jantamos e saímos. Sintra é um mundo a descobrir. "Adega das Caves" e "Xentra" são nomes que não esqueceremos tão cedo.
As duas horas já passaram à largos minutos. Estamos de regresso ao Hotel. Enquanto escrevo estas linhas volta-me à memória a imagem do Castelo suspenso. Já se fala em Hoquei Feminino e tudo... Rimo-nos e recordamos a Picanha e o Bacalhau da Ceia tardia na Adega das Caves... Recordo também o Jack Daniel's!
Foi, de facto, um Domingo em cheio!


(revisto depois de umas retemperadoras horas de sono - os erros eram muitos)

sábado, fevereiro 12, 2005

Coisas que se dizem! (7)


A campanha eleitoral navega num país diferente e longínquo, onde poucos cidadãos se reconhecem e menos encontram sinais de esperança.
A campanha eleitoral está a decorrer como se esperava: longe dos portugueses. Num país virtual. Falando de assuntos que não conseguem entusiasmar os cidadãos, que continuam alheados e desconfiados. (...) parte deste alheamento tem a ver com o que tem sido oferecido na campanha. Que é pouco, no caso de Sócrates, ou menos que nada, no caso de Santana.


Editorial do Público em 2005-02-12

sexta-feira, fevereiro 11, 2005

Carta de amor


Querida Sãozinha,

muita gente diz que o tempo é inimigo do amor, que as relações se desgastam com o passar dos meses e dos anos. Mas, isso não é verdade, pois vêm os dias, as noites, mudam as luas e as estações e eu continuo a amar-te com a mesma paixão de quando te conheci.
Na verdade, sinto como se o tempo reforçasse os nossos sentimentos a cada dia, como se os laços que nos unem estivessem mais estreitos e firmes a cada minuto. E o melhor é que esses laços apertados não nos oprimem nem limitam os nossos movimentos, não nos retiram a liberdade individual mas, pelo contrário, dão-nos a sensação exacta da grandiosidade do amor, este sentimento que permite que te completes no outro sem deixares de ser tu mesma!
Eu amo-te. Cada vez mais e mais a cada dia, porque sei que juntos somos capazes de vencer todas as barreiras, de vencer as horas com alegria e de voar sobre as asas do tempo, sugando os bons ares da experiência que ele proporciona, e tornando-nos cada vez mais confiantes na eternidade deste sentimento que nos une.
Mesmo tendo certeza de que este amor é para sempre, ainda assim quero dizer-te que valorizo cada minuto que passamos juntos, como só tenho boas recordações de todos os momentos que já disfrutamos ao longo deste nosso feliz relacionamento.

Um beijo!

Momentos (3)


Minha ilha sem bruma
Sem distância a percorrer
Onde o vento é o donatário
Único senhor e rei
Sem eu mesmo o saber.

Ilha Maior no sonho e na desgraça

Sempre a acenar a quem ao longo passa
Nos navios rumo ao Canadá e América.
Ancoradouro de aves, poetas e baleeiros,
Heróis sem nome, com um pé em terra e outro no mar,
Quantas vezes em vão a balear.

Negra, negra, negra e cativa

Ilha Maior, minha Ilha-Mãe adoptiva,
Maravilha de lava e altura!
El-rei Sebastião, o Desejado,
Veio um dia, nunca mais voltou.
E é aqui, cavada a seu lado,
Que eu quero ter a minha sepultura.

Almeida Firmino in ‘Narcose’

Coisas que se dizem! (6)


"Mas apesar de Jardim ser uma figura mais do que controversa, que recorre facilmente à truculência e ao insulto, Santana achou por bem convidá-lo para abrilhantar o primeiro comício da sua campanha. Está bem de ver que, ou não tem mais ninguém, ou gosta do estilo ou acha - como alguma gente diz - que Jardim foi um ás a desenvolver a Madeira. Só que, e é bom que se recorde, Portugal não tem nenhum Continente disposto a gastar aqui o que o Continente gastou com a Madeira. Nem nenhum Continente disposto a jamais lhe cobrar as dívidas.
Ou seja, se os métodos políticos de Jardim não fazem qualquer sentido, ainda menos fazem os seus métodos de administração pública. E isso adensa o mistério da importância que Santana lhe dá. Até porque todos os portugueses conhecem bem este ditado: «Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és»."

Henrique Monteiro no Expresso on-line em 2005-02-11

Coisas que se dizem! (5)


“O debate com Santana Lopes, na televisão, já deu mostras do que nos espera. O homem, quando contestado, mexe e remexe-se na cadeira, empertiga-se, ofende-se por dá cá aquela palha (…) O homem não é de ferro, ninguém é. Mas até as alusões alcoviteiras do demissionário em funções mereceriam outra atitude. Não sei se Sócrates tem namorada, se vai casar outra vez, se muda de mulher como quem muda de camisa ou se gosta de homenzinhos como ele. (…) Mas o que ele não disse a Santana - e ganhávamos todos se o dissesse - é que as opções sexuais de cada um são isso mesmo, de cada um. Que gostar de homens ou de mulheres, goste quem goste, é normal numa sociedade livre, madura, tolerante e democrática. Dir-me-ão: isso é o óbvio. Não é. É preciso repeti-lo muitas e muitas vezes para que o seja. Todos temos exemplos de intolerância à nossa porta, talvez até dentro de casa. E o engenheiro Sócrates, tão murro na mesa noutras ocasiões, ao invés de esticar o dedo e arregalar os olhos com as ofensas à vida privada, melhor faria em dar corda à sua especialidade: dizer-nos o óbvio. Ao menos neste caso, tinha valido a pena. E era pedagógico. Aí, talvez ficássemos todos com a ideia de que o líder do PS não troca a afirmação dos valores de uma sociedade adulta pelos votos do Portugal envergonhado, inquisitório e maledicente.”

Miguel Carvalho na Visão on-line em 2005-02-11

Coisas que se dizem! (4)


"A lógica aconselha, portanto, um militante ou dirigente do PSD a não sustentar ou apoiar Santana e a não votar PSD. (...) Muitos partidos morreram por espírito partidário. O PSD não precisa de um "bom" resultado em 20 de Fevereiro, precisa de um resultado que o livre de Santana. E precisa de perceber isso a tempo."
Vasco Pulido Valente no Público em 2005-02-11

"A mensagem que chegou assim à maior parte dos portugueses - a de retirada total - foi, do ponto de vista simbólico, a mensagem errada. Portugal deve continuar a apoiar a reconstrução no Iraque através de missões de formação das suas polícias, como está previsto, e deve empenhar-se mais no Afeganistão, designadamente através do alargamento do contingente aí presente e das missões de que está encarregue. Essas operações necessitam do apoio da opinião pública, não são clandestinas mesmo implicando custos e riscos, pelo que o PS também as devia assumir com mais frontalidade agora que a sua linha, em matéria de política externa, regressou à tradição europeia e atlântica do partido."
José Manuel Fernandes no Público em 2005-02-11

A Esperança


"A esperança é filha do desejo, mas não é o desejo. Constitui uma aptidão mental, que nos fez crer na realização de um desejo. Podemos desejar uma coisa sem que a esperemos. Toda gente deseja a fortuna, muito poucos a esperam. Os sábios desejam descobrir a causa primitiva dos fenômenos; eles não têm nenhuma esperança de consegui-lo. O desejo aproxima-se algumas vezes da esperança, a ponto de confundir-se com ela. Na roleta, eu desejo e espero ganhar. A esperança é uma forma de prazer em expectativa que, na sua atual fase de espera, constitui uma satisfação freqüentemente maior do que o contentamento produzido pela sua realização. A razão é evidente. O prazer realizado limita-se em quantidade e em duração, ao passo que nada limita a grandeza do sonho criado pela esperança. A força e o encanto da esperança consistem em conter todas as possibilidades de prazer. Ela constitui uma espécie de vara mágica que transforma tudo. Os reformadores nunca fizeram mais do que substituir uma esperança por outra."

Gustave Le Bon, in 'As Opiniões e as Crenças'

Democracia


"Um boletim de voto tem mais força que um tiro de espingarda"

Abraham Lincoln

Amor (3)


"O amor não é um sentimento, é uma arte."

Paul Morand in 'Isabel da Baviera'

quinta-feira, fevereiro 10, 2005

Azori, o fiel amigo...

Alegre e irrequieto, o Azori é o nosso companheiro de todos os momentos!

Momentos (2)


"Rir é arriscar parecer tolo... Chorar é arriscar parecer sentimental... Tentar alcançar alguém é arriscar envolvimento... Expôr sentimentos é arriscar rejeição... Expôr os seus sonhos perante a multidão, é arriscar parecer ridículo... Amar é arriscar não ser amado de volta... Seguir adiante face a probabilidades irresistíveis, é arriscar ao fracasso... E apenas uma pessoa que corre riscos é LIVRE."

Alexander Lowen

Coisas que se dizem! (3)


"Como verdadeiro artista do circo da política, Santana Lopes tem aproveitado a campanha eleitoral para acrobacias inigualáveis. E, no desespero de uma derrota que todos antevêem como inevitável, sobe a alturas nunca vistas, como no número circense de utilizar a residência oficial do primeiro-ministro para uma encenação de propaganda partidária. Por seu lado, José Sócrates, antecipando uma vitória anunciada, foge sobranceiramente a debates e já dá mostras de estar tão preocupado como Rui Gomes da Silva com os futuros comentários televisivos de Marcelo Rebelo de Sousa."

José António Lima no Expresso on-line em 2005-02-10

Amor (2)


"O amor civiliza o homem mais embrutecido,
faz falar com elegância quem antes era mudo,
faz do cobarde um atrevido,
transforma o preguiçoso em lesto e activo"

Juan Ruiz in 'Libro de Buen Amor'

quarta-feira, fevereiro 09, 2005

No Parlamento ...


"... No Parlamento não está a representação nacional, está a representação oficial; não está uma representação espontânea, nobre e sentida, está uma representação ensinada e assalariada. O governo pode contar com essa, porque a educou, e porque a afeiçoou a si; o governo a maioria são como duas figuras duma tragédia, que se falam e replicam, de há muito ensaiadas nos bastidores (...) Aquela representação não é nacional, é ministerial: não representa o povo que a rejeita e que a censura, representa simplesmente os homens que lhe dão os cargos opulentos e os estipêndios largos; a maioria é o corpo diplomático do governo; ele trá-la ostentosa e bem fardada, e engorda-a com a magreza do povo ..."

Eça de Queiroz, in Distrito de Évora, 14 Março de 1867

Amor (1)


"Amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direcção"

Antoine de Saint-Exupéry in 'Terra dos Homens'

Coisas que se dizem! (2)


"Portugal votará com cepticismo e algum medo a 20 de Fevereiro. Excepto pela remoção de Santana, não se decide nada de importante e o futuro continua turvo."
Vasco Pulido Valente no Público em 2005-02-06

"(...) os realizadores da SIC fizeram um movimento lento de aproximação dos olhos de Santana, potencializando a emoção. Os espectadores sentiram-se tocados por alguém que os olhava de frente. E assim se converteu um troca-tintas profissional num homem com o coração ao pé da boca."
Eduardo Prado Coelho no Público em 2005-02-07

Coisas que se dizem! (1)


"Só as mulheres é que deviam ter opinião num referendo sobre o aborto"

Agustina Bessa-Luís em entrevista ao Independente de 2005-02-04

sexta-feira, fevereiro 04, 2005

Momentos (1)

PICO

Pode escrever-se um poema com basalto
com pedra negra e vinha sobre a lava
com incenso mistérios criptomérias
e um grande Pico dentro da palavra.

Ou talvez com gaivotas e cigarros
cigarras do silêncio que se trilha
sílaba a sílaba até ao poema que está escrito
lá em cima no Pico sobre a ilha.

12/4/97, in "Pico" , Manuel Alegre