Coisas que se dizem! (10)
"(…) A brincar, a brincar, se dizem coisas sérias. O drama de Jerónimo serve um pouco como a imagem trágica de um partido que já não diz, nas ruas, que «ninguém calará a voz da classe operária». A sua infelicidade é uma metáfora, mas, também, uma pequena benesse: o eleitorado espectador sentiu-se embaraçado por ele. E por ele sentiu a simpatia que se sente por um clube simpático. (…) A gravata de Santana é uma resposta corajosa aos bispos que o acusaram de se ter aproveitado politicamente da morte da irmã Lúcia. Ou, talvez, a suprema lata, de que só ele seria capaz, de insistir numa pequena hipocrisia eleitoralista. Das duas uma, e cada eleitor fará o seu juízo.
A cassete de Portas e Santana, sobre a fuga de Guterres, parece ser a explicação para todos os males do País. Seremos obrigados a concluir que gostavam do governo de Guterres. Que, por tanto o condenarem por ter fugido, pensarão que Portugal estaria melhor sem essa fuga…
O debate mostrou, sobretudo, um duelo, um engasganço e duas desilusões. Comecemos pelas últimas (do engasganço não valerá a pena falar mais): Francisco Louçã e Pedro Santana Lopes. (…) O duelo existiu entre Paulo Portas e José Sócrates. Pareciam o primeiro-ministro e o challenger. O despique, se houve despique, foi entre os dois.
(…) É duvidoso que o debate tenha contribuído para transferir um único voto, ou levar um único abstencionista às urnas. Mas entre os indecisos, pode ter havido mexidas. Veremos quais, no próximo domingo."
Filipe Luís na Visão on-line em 2005-02-16


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