Coisas que se dizem! (5)
“O debate com Santana Lopes, na televisão, já deu mostras do que nos espera. O homem, quando contestado, mexe e remexe-se na cadeira, empertiga-se, ofende-se por dá cá aquela palha (…) O homem não é de ferro, ninguém é. Mas até as alusões alcoviteiras do demissionário em funções mereceriam outra atitude. Não sei se Sócrates tem namorada, se vai casar outra vez, se muda de mulher como quem muda de camisa ou se gosta de homenzinhos como ele. (…) Mas o que ele não disse a Santana - e ganhávamos todos se o dissesse - é que as opções sexuais de cada um são isso mesmo, de cada um. Que gostar de homens ou de mulheres, goste quem goste, é normal numa sociedade livre, madura, tolerante e democrática. Dir-me-ão: isso é o óbvio. Não é. É preciso repeti-lo muitas e muitas vezes para que o seja. Todos temos exemplos de intolerância à nossa porta, talvez até dentro de casa. E o engenheiro Sócrates, tão murro na mesa noutras ocasiões, ao invés de esticar o dedo e arregalar os olhos com as ofensas à vida privada, melhor faria em dar corda à sua especialidade: dizer-nos o óbvio. Ao menos neste caso, tinha valido a pena. E era pedagógico. Aí, talvez ficássemos todos com a ideia de que o líder do PS não troca a afirmação dos valores de uma sociedade adulta pelos votos do Portugal envergonhado, inquisitório e maledicente.”
Miguel Carvalho na Visão on-line em 2005-02-11


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