quinta-feira, março 31, 2005

No Alentejo... Férias!


No Alentejo o tempo passa devagar... e ainda bem que assim é!
O tempo passado no Alentejo, no Redondo – Terra de oleiros, barro (muito barro), e bom vinho, foi de férias. Foi de descanso absoluto.
Agora que estas duas semanitas de férias já estão a acabar olhamos para trás e damos por bem empregue o tempo passado por terras alentejanas.
Curioso será o facto de que, apesar da seca severa que assola Portugal, o tempo que passámos pelo Alentejo foi quase sempre de chuva, pouca, é verdade, mas chuva…
Para quem está de férias a chuva não será propriamente a melhor companhia, mas a alegria e boa disposição, que aquelas poucas gotinhas de água despertavam em todos quantos nos rodeavam, era contagiante. Fazia-nos sentir como se fizéssemos parte de algo grandioso…
No Redondo reencontrámos a família da São (que estava cheia de saudades), e deliciamo-nos com as, muitas, iguarias típicas daquela zona do País (superiormente confeccionadas pela minha sogra), sempre acompanhadas com o característico vinho local!
Recordo agora as horas passadas a ouvir as histórias de Mestre Xico Tarefa, ou simplesmente as horas passadas a vê-lo produzir, na roda de oleiro, as peças que fazem as delícias dos amantes da olaria tradicional do Redondo. Mestre Xico Tarefa é Oleiro de créditos firmados e reconhecidos (para além de ser meu sogro) … Foi, ainda não há muito tempo, considerado um dos Artesãos do Século em Portugal (entenda-se: do sec. XX), distinção que é, diga-se em abono da verdade, merecida!
Évora continua, como sempre, imponente…
Do alto da aldeia histórica de Monsaraz (umas das mais bem preservadas e bonitas do nosso País), observámos, com admiração, o maior lago artificial da Europa: o Alqueva.
E aqui, outra curiosidade: Em tempo de seca, seca severa, ali está calmo e imponente o Alqueva. É água a perder de vista. A barragem está completamente cheia, escandalosamente cheia! Sim, leu bem: Escandalosamente cheia!
São milhões, e mais milhões, de litros de água ali completamente desaproveitados, enquanto Portugal agudiza com falta de água… A barragem foi concluída, inaugurada com pompa e circunstância, mas os canais para regadio (motivo maior pelo qual foi construída aquela barragem), e demais infra-estruturas necessárias ao seu funcionamento ainda estão por executar…
Agora, já no Pico, prestes a terminar o meu curto período de férias, tenho saudades do Alentejo… daquela paz revigorante e motivadora!
O regresso está prometido para Setembro, altura da Vindima, e quando calor já não aperta muito!

terça-feira, março 29, 2005

Em Barcelos...


Existem momentos que jamais esquecemos... a nossa visita a Barcelos é certamente um desses momentos!
Aproveitando o facto de estarmos de férias, no Alentejo, com o pretexto de passar uns dias de forma diferente, rumámos (eu e a São) a Barcelos.
Juntava-se o útil ao agradável com esta ida a Barcelos: Não só passávamos uns dias pelo norte, bem como, eu, podia acompanhar a equipa do Candelária, que fazia uma mini-digressão na Maia e em Braga.
Relativamente à digressão do Candelária importa apenas referir que a equipa efectuou dois jogos amigáveis, um com a Nortecoope, outro com o Hóquei de Braga. A realização destes jogos pretendeu ser, não só, um teste às capacidades da equipa, mas também um "laboratório" onde se ensaiaram várias soluções para o futuro próximo. O balanço destes dois jogos é francamente positivo...
No que diz respeito a Barcelos, fica, com toda a sinceridade, uma vontade enorme de lá voltar.

De braços abertos, de rostos felizes, são assim as gentes de Barcelos, que nos recebem como amigos que ficam para a vida.
Com requinte e sofisticação e, ao mesmo tempo, com a enorme simplicidade que os caracteriza, receberam-nos, em sua casa, a Cecília e o Ricardo. A forma como nos trataram é um hino à hospitalidade das gentes do norte que, em Barcelos, atinge o seu expoente máximo.
Proust terá dito que "a verdadeira viagem de descoberta não consiste na obtenção de novas paisagens mas sim na busca de um novo olhar." Esta frase soa como um hino quando chegamos a Barcelos, pois foi com um novo olhar que lá chegamos e nos predispusemos a desvendar aquela Cidade plena de encantos.
Poder-vos-ia falar sobre a zona histórica da Cidade, e sobre os múltiplos locais que merecem, certamente, uma visita atenta. Poderia, ainda, falar-vos sobre a "vida" de Barcelos, que atinge o seu auge às quintas-feiras, com a realização da Feira local.
Mas aquilo que verdadeiramente nos encantou em Barcelos, e que nos faz alimentar a vontade de lá voltar muitas vezes, foram as pessoas...

domingo, março 20, 2005

Ai Sesimbra, Sesimbra...


Até hoje nunca tinhamos ganho em Sesimbra! Hoje voltamos a não conseguir ganhar. Perdemos!
A equipa de "luta livre" do Sesimbra venceu por quatro a três.
Talvez porque já começava a estar habituado a ganhar sempre, ou quase sempre, e porque hoje perdemos, nao me apetece escrever muito...
Sabíamos que nao íamos ganhar sempre. Sabíamos que mais cedo ou mais tarde haveríamos de perder... Todos, tinhamos plena consciência de que não eramos invenciveis, mas, convenhamos, custa sempre perder...
Não vou aqui procurar encontrar justificações ou desculpas, tao pouco culpados, para o nosso resultado menos bom de hoje.
Porém, não posso deixar de salientar que a equipa do Sesimbra joga Hoquei como se de luta livre se tratasse, e pior, com a conivência dos árbitros.
Um dos homens do apito foi inclusivé agredido, durante o jogo, por alguém da assistencia. Ter-se-à, porventura, sentido tão intimidado que nem esboçou reacção.
Mas como fiz já questão de referir, não vou procurar encontrar "bodes expiatórios" para a nossa derrota...
A verdade é que perdemos... e agora pouco interessa se os nossos adversários eram mais ou menos violentos.
O que interessa, realmente, é olharmos para este jogo como um exemplo. Um exemplo que não queremos repetir. Temos, todos, de ter consciência do que correu menos bem e, todos juntos, trabalharmos cada vez com mais empenho, e maior dedicação, para que dias como o de hoje sejam cada vez mais raros!
Agora é altura de lavantar a cabeça e começar a preparar os próximos desafios...

Não posso terminar sem deixar aqui uma mensagem de apoio e incentivo a todos quantos iintegram o nosso grupo de trabalho - o do Candelária Sport Clube. Tenho muito orgulho em todos os homens que ffazem parte desta equipa. Sinto uma honra enorme por fazer parte deste grupo!
Uma ultima palavra para o nosso querido "Bruninho", com o desejo de rápidas melhoras da lesão que o apoquenta. Os grandes homens conhecem-se nos momentos dificeis, e o Bruno é um homem com H grande... muito grande!

sábado, março 19, 2005

Lugares


"Tanto ou mais que as pessoas, os lugares vivem e morrem. Com uma diferença: mesmo se já mortos, os lugares retêm a vida que os animou. No silêncio sentimos-lhes os ouvidos vigilantes ou o rumor infatigável dos ecos ensurdecidos."

Fernando Namora, in 'Jornal sem Data'

A amizade!


"A amizade não se busca, não se sonha, não se deseja; ela exercce-se (é uma virtude) !"

Simmone Weil

Alegremente, de Setúbal...


Cá estou eu de regresso a este "horroroso" teclado do "Ponto e Internet" do Hotel onde estamos hospedados!
Alegremente, em Setúbal, a escrever sobre coisas do Pico...
Pretendo com mais este post assinalar o nascimento de mais um blog: www.milhafredopico.blogspot.com
É de autor desconhecido, facto que registo com tristeza, pois é minha convicção que todos devemos asssumir aquilo que escrevemos, sem medos nem constrangimentos.
Porém, admiro a forma e o modo como surgiu mais este blog, fazendo votos de que o seu autor tenha mesmo o "Dom de Voar". Mais: que seja capaz de nos transpoortar a todos em vôos inspiradores.
Seja bem vindo Sr. Milhafre do Pico (seja o Sr. ou Sr.a quem for) !

Aproveito também para agradecer ao Dr. José Eduardo Rocha a publicidade "gratuíta" que faz a este humilde e despretencioso blog no seu, muito popular, blog "Marazul. Devo, aliás, confessar que sou leitor assíduo do "Marazul", e admirador confesso do estilo de escrita do seu autor, pela acutilância com que aborda os temas sobre os quais escreve (obviamente concordo com alguns textos, doutros discordo, mas não posso deixar de admirar a sua coragem).

Em viagem...


Estamos em Setubal. Estou a escrever este "post" no ponto de internet do Hotel, que tem um teclado horroroso - escrever aqui é um verdadeiro suplicio, mas mesmo assim não resisto a fazê-lo.
Ontem, o dia foi longo, muito longo!
Viajamos o dia inteiro, de barco, avião, e de autocarro, até chegarmos a Sines, onde defrontámos, à noite, o clube local - Vasco da Gama de Sines. Saímos do Pico eram dez e meia da manhã e só chegamos a Sines já eram oito da noite.
Mas mesmo assim, apesar das agruras da viagem, e da minha (maldita) constipação, a confiança era elevada, e todos ambicionávamos uma vitória.
As dificuldades, porém, nao se resumiam à viagem. O "nosso" Bruninho ainda não estava completamente recuperado da lesão que o apoquenta (ccontinua não estar bem), e o Silva (Ricardo Silva) esteve doente ao longo de toda a semana, e também ainda não estava totalmente recuperado.
Mas, como já referi, apesar de tudo a confiança era elevada...
Este teclado deixa-me mesmo sem paciência ...
O jogo decorreu com normalidade. O CSC cedo se adiantou no marcador e, com mestria e inteligência, soube gerir o jogo e a pouco e pouco foi aumentado a vantagem.
No final, o resultado traduzia a superioridade do Candelária - vitória por seis a três.
Foram mais três pontos, importantes para os objectivos do grupo.
Hoje é dia de desscanso... estamos em Setubal!
No mesmo Hotel que nós está a estagiar o Vitoria de Setubal, que logo à noite defronta o Benfica.
Amanhã voltamos a jogar, em Sesimbra...

quinta-feira, março 17, 2005

Férias!


Finalmente estou de férias...
Bem... quase de férias! Vou entrar de férias, na próxima segunda-feira. Entretanto, amanhã, sexta-feira, acompanho o Candelária em mais uma deslocação para efectuar uma jornada dupla no continente, onde defrontará as equipas do Vasco da Gama de Sines, e do Sesimbra. Espero, sinceramente, que consigamos obter mais duas vitórias e os consequentes seis pontos!
Depois, na segunda-feira... finalmente férias!
Tenciono passar as duas "semaninhas", que vou ter de férias, no Alentejo, na terra da minha mulher, e desfrutar de todos os prazeres que aquela região do País nos pode proporcionar.
Colocarei as minhas leituras em dia... pelo menos tenciono fazê-lo. Tentarei ir escrevendo aqui algumas "coisitas", mesmo que para tal não me sinta muito inspirado, e não vou, certamente, deixar que os dias de frio me irritem.
Tenciono apenas relaxar, não me preocupando com prazos e trabalhos, e isso já é muito bom.
Vão ser duas semanas para não fazer rigorosamente nada, dormir o dia todo se me apetecer, fazer uma série de “asneiras” que ando morto por fazer, ver filmes, que já não vou ao cinema há meses, e principalmente descansar para recarregar energias.
Só espero que o péssimo tempo que tem feito nos Açores ao longo dos últimos dias não atrapalhe a minha viagem.
Roam-se de inveja... Vou de Férias!

terça-feira, março 15, 2005

Boa disposição


"A boa disposição é o grande lubrificante da roda da vida. Torna o trabalho mais leve, reduz as dificuldades e mitiga os infortúnios. A boa disposição dá um poder criador que os pessimistas não conseguem ter. Uma disposição alegre, esparançosa e optimista torna a vida mais suave, alivia a sua inevitável monotonia e amortece os solavancos da estrada da vida."

Alfred Montapert, in 'A Suprema Filosofia do Homem'

segunda-feira, março 14, 2005

O dia da Amadora!


Depois de à quinze dias ter regressado de Ponta Delgada no dia do jogo com o Oeiras (que o CSC venceu por expressivos seis a dois), e de ter viajado a partir da Ilha Terceira até ao Pico com aquela equipa, só podia ser bom presságio acontecer o mesmo este Sábado.
Efectivamente, por motivos profissionais, lá estava eu de regresso ao Pico, no Sábado, no dia do jogo com a Académica da Amadora. Não sou supersticioso mas ocupei exactamente o mesmo lugar no avião que tinha ocupado quinze dias antes, e quando fizemos escala na Terceira lá estava a comitiva da Académica da Amadora.
Cumprimentei, com um sorriso, os nossos adversários de daí a umas horas, e rapidamente embarcamos rumo ao nosso destino final.
Em pouco menos de trinta minutos chegamos ao Pico. Apressei-me a abandonar o Aeroporto, pois o avião vinha com algum atraso, e a hora do almoço havia passado à muito.
A tarde passou a voar. Eram 19.30 horas e lá estava eu no Pavilhão da Escola Cardeal Costa Nunes, junto da equipa. De fora ficaram o Paulo Marcelino, castigado, e o Bruno matos – o nosso Bruninho, ainda lesionado, duas baixas importantes na equipa, mas que não me faziam perder a confiança.
O aquecimento decorreu com normalidade. Vieram-me trazer, junto aos balneários, uma camisola da claque que guardei com orgulho. Às 21.00 horas começou o jogo.
Foi uma primeira parte estranha… O candelária dominava, e até vencia, diga-se em abono da verdade que com total justiça, mas o jogo estava longe de ser bonito… e a equipa da Amadora rápida e aguerrida estava, afinal, a revelar-se um osso duro de roer.
Rapidamente chegou o intervalo. O Candelária estava na frente do marcador, vencia por dois a um. A conversa no Balneário foi longa, haviam alguns aspectos que importava modificar para a segunda parte.
E quando o árbitro apitou para a segunda metade do encontro, tudo foi diferente. O Candelária estava mais rápido, mais acutilante.
Marcou mais três golos, e tivesse havido um pouquinho de sorte e poderia ter marcado mais alguns.
Encheu-me de orgulho o golo (o quinto do CSC) marcado pelo João Matos. O João que tinha entrado no jogo já na segunda parte, é um jovem formado nas Escolas do Candelária, e que eu acompanho desde que era, ainda, Iniciado…
Terminado o encontro, que o Candelária venceu, com superioridade, por cinco a um, reinava um ambiente de pura alegria, o sentimento do dever cumprido, de mais três pontos somados, importantes nos objectivos de toda a equipa.
A Armada Verde, como sempre, foi incansável no apoio à sua equipa, do primeiro ao último minuto. No final do jogo não resisti e, em pé em cima do banco de suplentes, aplaudi o esforço e a dedicação, tão importantes e motivadores para nós, daquelas dezenas de jovens.
Se quisesse ser demagógico e até arrogante, eu diria que se instalou um vício na equipa do Candelária: o de vencer, vencer sempre!
Mas a verdade é que todos aqueles que integram este grupo de trabalho do Candelária Sport Clube continuam com os pés bem assentes no chão. Todos sabemos que ainda nada ganhamos. É preciso continuar, humildemente, a trabalhar para, jogo a jogo, continuarmos a tentar a vitória, e os consequentes três pontos… rumo ao nosso objectivo final!

sexta-feira, março 11, 2005

Em São Miguel !


Apesar de estar em São Miguel, por motivos profissionais, os ultimos dois dias tem decorrido, quase, como se estivesse no Pico, tal o número de Picoenses com que nos cruzamos, em todos os momentos.
Coincidências que confirmam a velha máxima de que o Mundo é de facto muito pequeno.
Entre Pizzas (de massa fina ou menos fina), comida chinesa, e saudades de casa, vamos encontrando, a cada momento, uma cara conhecida. São os jovens que vieram estudar e que rejubilam de alegria quando vêm alguém do Pico. São os 'Picarotos' que, por motivos vários, se radicaram em S. Miguel e nos bombardeiam com perguntas sobre a sua terra natal. São aqueles que estão apenas de passagem, como nós, e que nos acenam com um sorriso cúmplice. São ainda velhos conhecidos e amigos, que há muito não víamos, e encontramos por acaso ao virar da esquina, e todo o turbilhão de emoções e recordações que estes encontros implicam. E depois há ainda o caso curioso, do meu colega, que veio encontrar, ao acaso e por mero acidente, uma 'prima' que não via à mais de 12 anos...O Mundo é realmente muito pequeno.
Por mais longe que possamos estar da nossa terra, da nossa Ilha do Pico, encontramos sempre uma 'cara conhecida'. Encontramos sempre alguém que nos faz lembrar as nossas origens... e sentimo-nos felizes!

quarta-feira, março 09, 2005

Noticias do Pico


Quero, hoje, deixar aqui uma chamada de atenção especial para o blog www.noticiasdopico.blogspot.com, da autoria do amigo David Borges que, apesar de muito recente, tem primado por uma qualidade elevada, assumindo “quase” contornos de jornal digital, e onde diariamente surgem noticias “fresquinhas” sobre a nossa Ilha do Pico.
O David, com este blog, vem dar um contributo precioso à blogosfera, e, bem assim, a todos os que se interessam por aquilo que vai acontecendo no Pico e que, de outra forma, dificilmente chegaria ao conhecimento público.
Está de parabéns o amigo David Borges.
Fica a recomendação para visitarem o blog
www.noticiasdopico.blogspot.com .

terça-feira, março 08, 2005

Dia Internacional da Mulher


Hoje - 8 de Março - comemora-se o Dia Internacional da Mulher.
Neste dia, dedicado à mulher pretende-se chamar a atenção para o seu papel e dignidade, despertar a consciência colectiva para o seu valor enquanto pessoa, perceber a sua integração na sociedade, e contestar e rever preconceitos e limitações que vêm sendo impostos à mulher.
Importa, também, salientar que este dia, o da Mulher, se comemora a 8 de Março porque, neste preciso dia, no longínquo ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve, ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. Estas operárias que, nas suas 16 horas, recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, deflagrou um incêndio, tendo morrido cerca de 130 mulheres queimadas.
Em 1910, numa conferência internacional de mulheres realizada na Dinamarca, foi decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de Março como "Dia Internacional da Mulher".


Coisas do hóquei!


Hoje é Terça-feira. Ontem começou mais uma semana de trabalho. Para trás já ficou o fim-de-semana. Foi um fim-de-semana de descanso. Diga-se, aliás, e em abono da verdade, que foi um descanso merecido.
É assim o mundo do Hóquei em Patins!
A insularidade, e tudo o que esta “simples” palavra implica, a isso obrigam. São as contingências do Calendário.
Poder-se-á pensar que, por a equipa vir num crescendo de forma, esta paragem é menos positiva. Porém, e apesar de até nem discordar deste ponto de vista, esta é uma paragem com a qual já contávamos, e em função da qual se projectou todo o trabalho de treino. São, como já referi, as contingências do Calendário, pelo que perder tempo a lamentarmo-nos nada adianta.
As nossas peculiares especificidades obrigam-nos a efectuar algumas jornadas duplas, quando jogamos no Continente, e a paragens como a do último fim-de-semana. São estas as regras do jogo, do nosso jogo, e é de acordo com estas regras que nos preparamos para competir, sem lamentos nem constrangimentos.
Sabemos com o que contamos, e acreditamos nas nossas potencialidades.
Todos temos um enorme desejo de vencer, e para isso acontecer trabalhamos dia a dia, com humildade, dedicação, e alegria!
Mas voltemos ao fim-de-semana. Comecei por considerar que era um descanso merecido, e é-o de facto.
A equipa do CSC disputou já três partidas nesta segunda fase da competição. Somou três vitórias, marcou 18 golos (seis por jogo), e somou nove pontos.
Um fim-de-semana de descanso era mais que merecido!
Recarregaram-se baterias, o que permite continuar a encarar ainda com maior optimismo as “batalhas” que se avizinham.
Alguns aproveitaram para ir matar saudades da família, outros para ir conhecer outras ilhas, outros, ainda, apenas para descansar!
Na segunda-feira (ontem) lá estavam todos, outra vez, com um sorriso nos lábios, preparados para dar o máximo em mais uma semana de treinos.
O próximo embate é já Sábado, com a Académica da Amadora, e o desejo de todos é, obviamente, vencer.

Antepassados


"(...) é bom olhar de vez em quando para trás. Tudo o que em nós há de original conservar-se-á tanto melhor e será tanto mais apreciado, quanto mais formos capazes de não perder de vista os nossos antepassados."

Johann Wolfgang von Goethe, in 'Máximas e Reflexões'

282 Anos...


"D. João por graça de Deus Rei de Portugal e dos Algarves, etc (...) hei por bem fazer mercê aos suplicantes de lhes conceder a regalia de que o dito lugar de Santa Maria Madalena seja Vila, fazendo-se separação do termo, pela Canada das Figueiras, que vai dar ao porto do Cachorro, ficando pertencendo à dita nova vila quatro freguesias, a saber: a da Candelária e São Mateus (...), e as freguesias da Boa nova e Madalena (...)"

Excerto do "Alvará para a creação da Vila da Magdalena da Ilha do Pico" exarado em 8 de Março de 1723 por D. João V

O Concelho da Madalena, o mais jovem da Ilha do Pico, comemora hoje 282 anos. Para assinalar esta data decorrerá uma sessão solene, hoje á tarde, no Auditório da Escola Cardeal Costa Nunes, seguindo-se um Jantar comemorativo, e mais tarde um Concerto na Igreja Matriz de Santa Maria Madalena.

segunda-feira, março 07, 2005

Crueldade


O ser humano contém em si um ruído de monstros que liberta em todas as ocasiões favoráveis.”

Na passada semana “alguém”, pelo simples “prazer” de fazer mal, suponho que, na calada da noite, invadiu as instalações do Canil Municipal da Madalena, e tentou envenenar os, muitos, cães que ali vivem… Foram encontrados vários (muitos) bocados de carne envenenada.
Dois cães morreram. Um terceiro desapareceu. Os restantes, por um feliz acaso do destino, nada sofreram.
É inacreditável que alguém possa ter feito tal coisa!
É revoltante.
Que monstro é este que, movido por um ódio demente, a troco de nada, decide atentar contra a vida de animais indefesos ?!
O autor deste “atentado” deveria ser severamente punido. Dir-se-á que é impossível saber quem perpetrou tal acção. Mesmo assim, entendo que deveriam ser efectuados todos os esforços para se encontrar, e punir, o responsável.
Resta-me, humildemente, o direito à indignação e à revolta, a que aqui dou voz.

O nosso cão (meu e da São), o Azori, veio do Canil. Apenas com algumas semanas foi abandonado à sua sorte. Fomos buscá-lo ao Canil, já lá vai mais de ano (bem mais de ano), e desde então temo-lo criado o melhor que podemos e sabemos.
Mais cães gostaríamos de salvar do Canil, mas a falta de espaço impede-nos de o fazer.
A exemplo do que fizemos, varias outras pessoas tem adoptado cães do Canil Municipal. Os cães agradecem!

sexta-feira, março 04, 2005

Existimos em Função do Futuro


"Tentai apreender a vossa consciência e sondai-a. Vereis que está vazia, só encontrareis nela o futuro. Nem sequer falo dos vossos projectos e expectativas: mas o próprio gesto que surpreendeis de passagem só tem sentido para vós se projectardes a sua realização final para fora dele, fora de vós, no ainda-não. Mesmo esta taça cujo fundo não se vê - que se poderia ver, que está no fim de um movimento que ainda não se fez -, esta folha branca cujo reverso está escondido (mas poderia virar-se a folha) e todos os objectos estáveis e sólidos que nos rodeiam ostentam as suas qualidades mais imediatas, mais densas, no futuro. O homem não é de modo nenhum a soma do que tem, mas a totalidade do que não tem ainda, do que poderia ter. E, se nos banhamos assim no futuro, não ficará atenuada a brutalidade informe do presente? O acontecimento não nos assalta como um ladrão, visto que é, por natureza, um Tendo-sido-Futuro. E, para explicar o próprio passado, não será a primeira tarefa do historiador procurar o futuro?"

Jean-Paul Sartre, in 'Situações I'

Coisas que se dizem! (19)


"Está a decorrer há semanas nos Açores, e continua até ao fim de Abril, o Congresso da Cidadania, organizado pelo ministro da República para a Região, Laborinho Lúcio, com a colaboração do Governo Regional e das Associações do Poder Local. A participação espantosa da população açoriana, traduzida em quase uma centena de projectos de adesão, é um exemplo de como a sociedade civil pode participar na vida da polis, quando os responsáveis políticos a sabem mobilizar.
(...) Laborinho Lúcio é, de resto, um caso raro na política portuguesa, embora a sua discrição não propicie que os media falem dele. Talvez ninguém, como ele, tenha exercido com tanta dedicação e espírito de entrega o cargo de ministro da República. Culto, brilhante, tem a sabedoria das coisas simples. Conseguiu que a população açoriana visse no ministro da República menos um representante do Estado central e mais um agente da autonomia regional, que como princípio constitucional é também um princípio da soberania.(...)"

Duarte Lima no Diário de Noticias em 2005-03-04

quinta-feira, março 03, 2005

Perdoai-me ou não, tanto faz


"Para que não restem quaisquer dúvidas ao padre Serras Pereira: já usei preservativos, tomei a pílula, defendo a legalização do aborto e da eutanásia. Não sou católica - nem quero ser - e agradeço o dia em que não pude ser baptizada porque o meu pai - divorciado - não pôde esperar a minha mãe no altar. A posição que a Igreja Católica tem sobre o uso do preservativo não é nova. É chata. É parva. Mas não é nova. Quem quer, quer, quem não quer, não brinca. Mas vir um padre pôr anúncios nos jornais avisando que não dá comunhão a quem use preservativo, roça o cúmulo do ridículo.
O padre Serras Pereira, impedido de notificar individualmente cada uma das suas ovelhas, optou por gritar ao mundo o que vai fazer. A grande curiosidade - a minha, pelo menos - era perceber como é que o padre Serras Pereira, que ao que consta não é médium, ia fazer a selecção. A menina cheira a sexo, a menina não comunga. Seria? Não. O que o padre Serras Pereira diz é que os infiéis que andam por aí nos jornais a defender preservativos, pílulas, aborto e eutanásia que nem pensem em pôr o pé em missa que ele celebre. Ou se puserem, já sabem. Não há hóstia para ninguém. Eu acho que o padre Serras Pereira devia pedir perdão a deus. E acho que deus devia pensar duas vezes."

Ana Kotowicz n'A Capital em 2005-03-03

Momentos (10)

Testamento

Eu hei-de sepultar meu coração
Numa fraga, junto ao mar,
Vizinho da névoa e solidão,
Onde as gaivotas, manhã alta, vão pousar.


E o coração ao debruçar-se na água
Verá o céu, falará com Deus,
Que, afinal, a morte é como a vida,
Não passa de um breve e sentido adeus

Almeida Firmino

Coisas que se dizem! (18)


"Como era de prever depois das eleições, Cavaco Silva e os seus apoiantes foram reduzidos ao estatuto ambíguo de cavaquistas e tornaram-se o alvo a abater de todos os lados"

Pacheco Pereira no Público em 2005-03-03

Liberdade


"Antes que a ideia de Deus esmagasse os homens, antes dos autos de fé, das perseguições religiosas da Inquisição e do fundamentalismo islâmico, o Mediterrâneo inventou a arte de viver. Os homens viviam livres dos castigos de Deus e das ameaças dos Profetas: na barca da morte até à outra vida, como acreditavam os egípcios. E os deuses eram, em vida dos homens, apenas a celebração de cada coisa: a caça, a pesca, o vinho, a agricultura, o amor. Os deuses encarnavam a festa e a alegria da vida e não o terror da morte.
Antes da queda de Granada, antes das fogueiras da Inquisição, antes dos massacres da Argélia, o Mediterrâneo ergueu uma civilização fundada na celebração da vida, na beleza de todas as coisas e na tolerância dos que sabem que, seja qual for o Deus que reclame a nossa vida morta, o resto é nosso e pertence-nos – por uma única, breve e intensa passagem. É a isso que chamamos liberdade – a grande herança do mundo do Mediterrâneo.

(...) Sabes, quem não acredita em Deus, acredita nestas coisas, que tem como evidentes. Acredita na eternidade das pedras e não na dos sentimentos; acredita na integridade da água, do vento, das estrelas. Eu acredito na continuidade das coisas que amamos, acredito que para sempre ouviremos o som da água no rio onde tantas vezes mergulhámos a cara, para sempre passaremos pela sombra da árvore onde tantas vezes parámos, para sempre seremos a brisa que entra e passeia pela casa, para sempre deslizaremos através do silêncio das noites quietas em que tantas vezes olhámos o céu e interrogámos o seu sentido. Nisto eu acredito: na veemência destas coisas sem princípio nem fim, na verdade dos sentimentos nunca traídos."

Miguel Sousa Tavares, in "Não Te Deixarei Morrer, David Crockett "

Momentos (9)

Este Povo da Ilha

Este o povo que nasceu no mar.

Veio-lhe o sangue do sal.
Suas veias boiaram outrora
entre cabeleiras de algas e fungos de basalto.
Abriu-se-lhe a boca no remoto esquecimento dos búzios.
Memória são as conchas desertas
o calhau rolado arenoso silêncio sobre rocha.

Gerado talvez entre o grito enfermo das baleias
e o rasto dos navios.
Pois este o povo se (re)conhece entre areia e mar
no preciso instante em que a pedra e o corpo
se tocam e amam
a água

E por isso os peixes
nos atravessam os olhos
a nado

Viajam entre nós e a certeza
do corpo.

João de Melo in 'Navegação da Terra'

quarta-feira, março 02, 2005

Memórias do Porto Velho! (3)


Uma Coisa em Forma de Assim


"Quando falas ou simulas falar de ti próprio e amalgamas passado, presente, futuro, há sempre os que perguntam se o que contaste é verdade ou não. Nunca indagam se vai ser verdade. O que lhes interessa é saber, com a curiosidade dos intriguistas, se o que se passou (ou parece ter-se passado) se passou mesmo contigo. É um erro de gente vulgar. Parasitários ou não, qualquer invenção ou patranha, qualquer «mentir verdadeiro» é acepipe biográfico, é pretexto para te enfileirarem na nulidade biográfica que é a deles próprios e tecerem incansavelmente histórias a teu respeito. Não te deixes seduzir pelo gosto da conversa. Essa pequena gente não merece a mais pequena atenção, nem tu precisas de espectadores para o salutar exercício diário de falar por falar.
(...) Não deixes que metam o nariz na tua vida. Caso contrário, vais ficar cheio de gente, com a sua vida escassamente interessante. O tombo da vida vulgar já foi feito por escritores como Camilo. E tenho a impressão de que, no essencial, a vida vulgar continua a mesma. Desunha-te a escrever (olha que já tens pouco tempo!), mas fá-lo com a discrição e a reserva de quem não se dá às primeiras. É outro exercício salutar."


Alexandre O'Neill, in 'Uma Coisa em Forma de Assim'

terça-feira, março 01, 2005

Património Histórico


No passado dia 18 de Fevereiro permiti-me fazer, aqui, uma reflexão sobre o nosso (o do Concelho da Madalena do Pico) património arquitectónico. Pretendi chamar a atenção para a importância que entendo ter a preservação dos nossos edifícios históricos, realçando que através dessa preservação estamos, também, a preservar a nossa identidade histórica, aquilo que fomos, o que são as nossas origens, e aquilo que pretendemos projectar no futuro.
Nos dias subsequentes, ilustrei essa reflexão citando algumas passagens do Livro “O Concelho da Madalena – Subsídios” da autoria do Dr. Tomaz Duarte Jr..
Hoje recupero esta temática, propondo uma reflexão sobre o destino que pretendemos dar aos portos e portinhos que grassam um pouco por todo o Concelho, e à importância que tiveram, ao longo dos tempos, no desenvolvimento da Ilha do Pico.
As gentes do Pico viveram, sempre, desde tempos remotos, com “um pé em terra outro no mar”, tentando, dessa forma, garantir a sua subsistência, por vezes difícil.
É neste cenário que a “cadeia de portinhos e varadouros, talhados na rocha viva, (…) mais os paredões de quebra-mar, tudo afagado a poder de braço e picão”, assumem particular relevância. Eram porta, única, de entrada, e saída, de pessoas e bens.
Deter-me-ei apenas em dois exemplos: o porto da Areia Larga, e o porto velho da Madalena. Apenas estes dois, por serem aqueles de que geograficamente me encontro mais perto, e porque foram, pela sua localização privilegiada, dois dos principais vectores das nossas comunicações com o exterior.
Foi a partir destes portos, em “barcos de boca aberta”, impulsionados a remos e à vela, que exportámos para os quatro cantos do mundo o nosso característico “verdelho”. Foi, também, desta forma que, durante séculos, escoamos as nossas produções agrícolas, com destino ao mercado faialense, e a outras paragens, e recebemos outros tantos bens, tão necessários à nossa subsistência diária.
Generalizou-se, através dos tempos, um vai vem, de pessoas e bens, entre as Ilhas do Pico e do Faial, que perdura até hoje. Nos dias que correm, as ligações marítimas com o Faial fazem-se respeitando padrões de segurança elevados, com recurso a barcos e infra-estruturas portuárias modernas.
Hoje, pouco mais resta que a memória, e uns poucos escritos, sobre tantos heróis anónimos que enfrentaram as agruras do mar para garantir as ligações marítimas com a nossa Ilha vizinha, e bem assim garantir a nossa subsistência colectiva.
Desse tempo ficaram também os dois portos que já referi: o da Areia Larga, pouco alterado através dos tempos, e o Porto Velho da Madalena, substancialmente modificado aquando da construção do novo porto, mas ainda mantendo muitas das suas características originais.
Importa, portanto, como já defendi em relação aos nossos edifícios históricos, olhar para estas infra-estruturas de outra forma.
O porto da Areia Larga e o porto velho da Madalena, a exemplo de vários outros por todo o Concelho, representam uma herança cultural de superior relevância. São monumentos que, pela sua natureza, ao serem contemplados despertam a reflexão, destacando-se no restante tecido urbano, e no conjunto das manifestações populares, por mediarem factos históricos memoráveis.

A recuperação e preservação destes portos, com as suas características originais (tanto quanto é ainda possível), configura a conversão destes espaços históricos em testemunhas que atestam as nossas virtudes ancestrais.