segunda-feira, maio 23, 2005

Vivó Candelária!

Candelária S. C. na Primeira Divisão

Allez, Candelária, Allez!
Nós somos a tua voz!
Queremos esta vitória,
Vais conquistá-la por nós!

O Candelária Sport Clube garantiu, este fim-de-semana, a subida á primeira Divisão Nacional de Hóquei em Patins, ao vencer a equipa do Alenquer e Benfica, no Continente, por três bolas a duas.
Estão de parabéns todos os que constituem o grupo de trabalho do Candelária.
Importa agora continuar a trabalhar com a mesma determinação e humildade, para lutar pela obtenção do titulo de Campeão Nacional da segunda divisão.

sexta-feira, maio 20, 2005

Na Blogosfera


"Na verdade, a blogosfera é a mais vibrante das expressões modernas da Ágora ateniense, esse espaço público onde os cidadãos se encontravam para discutir os assuntos que a todos diziam respeito. A blogosfera é mais democrática, mais aberta, mais plural, mais interessante e mais rica do que os espaços de debate da maioria dos meios de comunicação tradicionais, mesmo os famosos fóruns de discussão radiofónicos."

José Manuel Fernandes, no Público em 13-07-2003

quinta-feira, maio 19, 2005

Blogar


"Blogar é escrever num meio terrivelmente aberto - interactivo, instantâneo, espúrio - a partir de um momento terrivelmente particular - o eu, o ser, a alma. É um lindo fogo posto que salta entre a faísca da intimidade e o incêndio público de todas as coisas."

Miguel Esteves Cardoso, em Julho de 2003

Lei das Compensações I e II


Li e não resisti.
Os textos que abaixo transcrevo foram publicados originalmente por João Miranda no Blasfémias.

"Quando já era óbvio que o Sporting ia perder, um dos comentadores da RTP resolveu consolar os telespectadores dizendo que há vida para além do futebol. Pois há. Para além do futebol há o deficit."

"Alguns países constroem estádios, outros ganham finais."

O Sporting!


No último Sábado o Sporting perdeu com o Benfica, e hipotecou todas as possibilidades que ainda tinha de chegar ao título nacional.
Ontem, em Alvalade, o Sporting voltou a não ter arte nem engenho para levar de vencido o CSKA de Moscovo que, com pragmatismo, venceu por 3 a 1 e conquistou a Taça UEFA.
Enquanto Sportinguista, que apesar de tudo me orgulho de continuar ser, devo confessar que é com alguma tristeza que constato que, mais uma vez, o Sporting volta a não ganhar nada…
Agora, com maior ênfase, mas com a mesma convicção com que o tem dito desde o jogo do Benfica, todos apontam o dedo ao guarda-redes do Sporting, Ricardo, acusando-o de ser um dos principais responsáveis pelas duas derrotas. Acusam-no, concretamente, de ter sido mal batido nos golos sofridos nestes dois jogos.
Decidido a apurar a realidade sobre a culpabilidade do Ricardo nos Golos sofridos pelo Sporting, observei, com toda a atenção, as imagens televisivas dos golos, com todas as repetições de vários ângulos, e, perdoem-me, mas não posso concordar que seja o Ricardo o responsável pelos golos sofridos pelo Sporting, quer frente ao Benfica, quer frente ao CSKA.
Não percebo, sinceramente, como queriam que o Ricardo pudesse ter defendido aquelas bolas.
Ele estava com luvas !!!!

quinta-feira, maio 12, 2005

Anedota


A vocação deste Blog não tem sido, até hoje, a reprodução de anedotas. Mas, hoje, não resisti. O sentido de oportunidade do autor, a quem não posso fazer justiça por não saber quem seja, é absolutamente notável.

Aqui vai:

"- Preciso de abater uns 2700 sobreiros.
- Já falaste com o teu partido?
- Não. Falei com o teu.
"

Feliz Aniversário

Parabéns Sãozinha!

Um abraço pode dizer tantas coisas
"Tenho saudades"
ou então
"Vou me lembrar de você"
Pode também querer dizer
"Você é muito especial",
ou,
melhor do que tudo,
"Eu amo você".
Um abraço pode muita coisa...

amenizar uma dor,
acalmar um receio,
alegrar a gente,
afastar a tristeza...
Parece quase um milagre

todas as coisas
que um simples abraço pode fazer.

Feliz Aniversário!

Ser Feliz!


"Ser feliz é ter futuro e é dar futuro. Todos pensamos ser felizes e acordamos todos os dias com esse desejo. Mas ser feliz não é uma sorte, nem é ausência de problemas. É viver com sentido, com coragem, construindo o futuro e dando futuro. Isso depende de mim. Era uma vez um homem que corria e corria pela vida... A vida era curta e necessitava de correr muito para gozar muito e ser feliz. E quanto mais corria, mais necessitava de correr! Descobria sempre mais lugares para visitar! Necessitava encontrar tudo e gozar de tudo. Até que um dia, cansado de tanto correr, parou. Então, a felicidade pôde alcançá-lo."

(Padre) Vasco Pinto de Magalhães, in 'Não Há Soluções, Há Caminhos'

quarta-feira, maio 11, 2005

O Espaço Público


"Vê-se que o espaço público falta cruelmente em Portugal. Quando há diálogo, nunca ou raramente ultrapassa as «opiniões» dos dois sujeitos bem personalizados (cara, nome, estatuto social) que se criticam mutuamente através das crónicas nos jornais respectivos (ou no mesmo jornal).
O «debate» é necessariamente «fulanizado», o que significa que a personalidade social dos interlocutores entra como uma mais-valia de sentido e de verdade no seu discurso. É uma espécie de argumento de autoridade invisível que pesa na discussão: se é X que o diz, com a sua inteligência, a sua cultura, o seu prestígio (de economista, de sociólogo, de catedrático, etc.), então as suas palavras enchem-se de uma força que não teriam se tivessem sido escritas por um x qualquer, desconhecido de todos. Mais: a condição de legitimação de um discurso é a sua passagem pelo plano do prestígio mediático - que, longe de dissolver o sujeito, o reforça e o enquista numa imagem «em carne e osso», subjectivando-o como o melhor, o mais competente, o que realmente merece estar no palco do mundo."

José Gil, in 'Portugal Hoje - O Medo de Existir'

segunda-feira, maio 09, 2005

Entrevista


Sugerimos a todos quantos gostam de Hóquei em Patins, particularmente àqueles que acompanham a carreira do Candelária Sport Clube, a leitura atenta da entrevista do Treinador, e também Jogador, do Candelária, Ricardo Santos, publicada hoje no HoqueiPT - Blog do Hoquei em Patins.
O hoqueiPT é, porventura, o mais completo e actual Blog português sobre Hoquei em Patins. Leia a entrevista do Treinador do C.S.C. em www.hoqueipt.blogspot.com

"Qué qué isso, óh meu?!"

Morreu Jorge Perestrelo

O jornalista e locutor desportivo morreu sexta-feira vítima de problemas cardíacos.
O último relato de Jorge Perestrelo aconteceu na passada quinta-feira à noite, no jogo da meia-final da Taça UEFA - Sporting-AZ Alkmaar -, que deu o apuramento dos «leões» para a final desta competição, marcada para o próximo dia 18, no Estádio dos sportinguistas, em Lisboa.
No dia seguinte, sexta-feira, o jornalista, de 57 anos, que trabalhava na TSF desde a fundação desta emissora, em 1988, deu entrada no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, queixando-se de dores no peito.
Verificou-se que o jornalista apresentava lesões coronárias graves e foi submetido a uma angioplastia, sucumbindo durante a operação.
Jorge Perestrelo nasceu em Angola, e foi naquele país que começou a sua carreira, no Rádio Clube do Lobito.
Ainda em Angola, Perestrelo trabalhou também no Rádio Clube do Mochico e na Rádio Comercial Sá da Bandeira.
Em 1975, foi para o Brasil e dois anos depois regressou a Portugal, onde trabalhou no Rádio Clube Português, Rádio Comercial e na TSF.
Perestrelo distinguiu-se nos relatos desportivos que conduzia, empregando expressões que acabaram por se tornar a sua imagem de marca, como «Ripa na rapaqueca!».


Para quem, como eu, dedicou muitos anos da sua vida à Comunicação Social, especificamente ao mundo da Rádio, Jorge Perestrelo foi, é, e será sempre uma referência incontornável.

Bom Humor


"O bom humor espalha mais felicidade que todas as riquezas do mundo. Vem do hábito de olhar para as coisas com esperança e de esperar o melhor e não o pior."

Alfred Montapert

O Simples e o Complicado


"As pessoas não querem que se lhes dê lições. É por isso que não compreendem agora as coisas mais simples. No dia em que o quiserem, verificar-se-á que são capazes de compreender também as coisas mais complicadas. Até lá, as instruções são: continuar a trabalhar, discutir o menos possível. Com efeito, só poderíamos dizer a um indivíduo: você é um imbecil, a outro: você é um patife, e há boas razões que excluem a realização expressiva de tais convicções. Sabemos, de resto, que estamos diante de pobres diabos, que receiam por um lado chocar, prejudicar as suas carreiras e que, por outro lado, se encontram acorrentados pelo medo do que está recalcado neles próprios. Teremos de esperar que todos eles morram ou se tornem lentamente minoritários. De qualquer maneira, o que acontece de fresco e de novo é a nós que pertence."

Sigmund Freud, in 'As Palavras de Freud'

sexta-feira, maio 06, 2005

Os Convencidos da Vida


"Todos os dias os encontro. Evito-os. Às vezes sou obrigado a escutá-los, a dialogar com eles. Já não me confrangem. Contam-me vitórias. Querem vencer, querem, convencidos, convencer. Vençam lá, à vontade. Sobretudo, vençam sem me chatear.Mas também os aturo por escrito. No livro, no jornal. Romancistas, poetas, ensaístas, críticos (de cinema, meu Deus, de cinema!). Será que voltaram os polígrafos? Voltaram, pois, e em força.Convencidos da vida há-os, afinal, por toda a parte, em todos (e por todos) os meios. Eles estão convictos da sua excelência, da excelência das suas obras e manobras (as obras justificam as manobras), de que podem ser, se ainda não são, os melhores, os mais em vista.Praticam, uns com os outros, nada de genuinamente indecente: apenas um espelhismo lisonjeador. Além de espectadores, o convencido precisa de irmãos-em-convencimento. Isolado, através de quem poderia continuar a convencer-se, a propagar-se?
(...) No corre-que-corre, o convencido da vida não é um vaidoso à toa. Ele é o vaidoso que quer extrair da sua vaidade, que nunca é gratuita, todo o rendimento possível. Nos negócios, na política, no jornalismo, nas letras, nas artes. É tão capaz de aceitar uma condecoração como de rejeitá-la. Depende do que, na circunstância, ele julgar que lhe será mais útil.Para quem o sabe observar, para quem tem a pachorra de lhe seguir a trajectória, o convencido da vida farta-se de cometer «gaffes». Não importa: o caminho é em frente e para cima. A pior das «gaffes», além daquelas, apenas formais, que decorrem da sua ignorância de certos sinais ou etiquetas de casta, de classe, e que o inculcam como um arrivista, um «parvenu», a pior das «gaffes» é o convencido da vida julgar-se mais hábil manobrador do que qualquer outro.Daí que não seja tão raro como isso ver um convencido da vida fazer plof e descer, liquidado, para as profundas. Se tiver raça, pôr-se-á, imediatamente, a «refaire surface». Cá chegado, ei-lo a retomar, metamorfoseado ou não, o seu propósito de se convencer da vida - da sua, claro - para de novo ser, com toda a plenitude, o convencido da vida que, afinal... sempre foi."

Alexandre O'Neill, in "Uma Coisa em Forma de Assim"

Viva ao Sporting!

Esforço, dedicação, devoção e glória!

quinta-feira, maio 05, 2005

O(s) Porto(s) Velho(s)


No passado dia 18 de Fevereiro, defendi, neste “Blog”, a importância que entendo ter a preservação dos nossos edifícios históricos, realçando que através dessa preservação estamos, também, a preservar a nossa identidade histórica, aquilo que somos, o que são as nossas origens, e aquilo que pretendemos projectar no futuro.
No dia 1 de Março, voltei a abordar o assunto, propondo, então, uma reflexão sobre o destino que pretendemos dar aos portos e portinhos que grassam um pouco por todo o Concelho, e à importância que tiveram, ao longo dos tempos, no desenvolvimento da Ilha do Pico, considerando que estas infra-estruturas portuárias seculares representam uma herança cultural de superior relevância, e que são monumentos que, pela sua natureza, ao serem contemplados despertam a reflexão, destacando-se no restante tecido urbano, e no conjunto das manifestações populares, por mediarem factos históricos memoráveis.
Concluí esta reflexão afirmando a minha firme convicção de que a recuperação e preservação destes portos, com as suas características originais (tanto quanto é ainda possível), configura a conversão destes espaços históricos em testemunhas que atestam as nossas virtudes ancestrais.
Foi, portanto, com satisfação que constatei que, ontem se tinham iniciado trabalhos de manutenção na zona envolvente ao Porto velho da Madalena. Logo pensei que, finalmente, aquela zona iria ser alvo de uma intervenção profunda. Ingenuidade minha!
Os trabalhos que se iniciaram ontem, e que continuam a decorrer no dia de hoje, são, apenas, pintura de muros e alguns, poucos, arranjos de pormenor. É pouco! Muito pouco!
Dir-se-á que é melhor que nada.
Outros dirão que já é um princípio!
As duas afirmações são verdadeiras, mas, mesmo assim, continua a ser muito pouco!
Há muito que um espaço com a importância histórica, que a tem de facto, do Porto Velho da Madalena, da respectiva rampa de varagem, e da zona envolvente, deveria ter sido alvo de uma requalificação que o dotasse da dignidade que merece ter.
O mesmo se aplica ao Porto da Areia Larga, que está visivelmente danificado em consequência dos últimos temporais que assolaram a Ilha do Pico. E poderia ainda falar, também, do “portinho” do lugar do Pocinho, ou do Porto do Calhau e de toda a sua zona envolvente…
Fica, aqui, mais uma vez, um grito de alerta a quem de direito!

quarta-feira, maio 04, 2005

Serenidade


"A serenidade não é feita nem de troça nem de narcisismo, é conhecimento supremo e amor, afirmação da realidade, atenção desperta junto à borda dos grandes fundos e de todos os abismos; é uma virtude dos santos e dos cavaleiros, é indestrutível e cresce com a idade e a aproximação da morte. É o segredo da beleza e a verdadeira substância de toda a arte.
O poeta que celebra, na dança dos seus versos, as magnificências e os terrores da vida, o músico que lhes dá os tons de duma pura presença, trazem-nos a luz; aumentam a alegria e a clareza sobre a Terra, mesmo se primeiro nos fazem passar por lágrimas e emoções dolorosas. Talvez o poeta cujos versos nos encantam tenha sido um triste solitário, e o músico um sonhador melancólico: isso não impede que as suas obras participem da serenidade dos deuses e das estrelas. O que eles nos dão, não são mais as suas trevas, a sua dor ou o seu medo, é uma gota de luz pura, de eterna serenidade. Mesmo quando povos inteiros, línguas inteiras, procuram explorar as profundezas cósmicas em mitos, cosmogonias, religiões, o último e supremo termo que poderão atingir é essa serenidade."

Hermann Hesse, in 'O Jogo das Contas de Vidro'

terça-feira, maio 03, 2005

Entre Oeiras e Torres Vedras!


É sexta-feira, e logo pela manhã fazemo-nos ao mar. O destino é a Ilha do Faial, onde vamos apanhar o avião que nos transportará rumo a mais uma “dupla” jornada no continente Português. Os adversários do fim de semana serão, primeiro, a Associação Desportiva de Oeiras e, depois, a Associação de Educação Física de Torres Vedras.
A viagem decorre com normalidade. Há muito que se tornou uma rotina viajar desta forma, primeiro de barco, depois de táxi, e finalmente de avião…
Já em plena plataforma de embarque, no aeroporto da Horta, reparo no nome do AIRBUS que nos irá transportar, “Natália Correia”. Uma Açoriana que foi figura importante da poesia portuguesa contemporânea, tendo-se destacado ainda como ensaísta e romancista, passando pelo teatro e investigação literária. Natália Correia acabaria por ser, também, uma destacada figura na luta contra o fascismo.
Subo as escadas, ocupo o meu lugar no avião, e recordo, em pensamento, essa grande mulher, considerando de inteira justiça a homenagem que a TAP lhe faz, baptizando um avião com o seu nome.
A viagem decorre sem sobressaltos. Folheio uma revista generalista que comprei no aeroporto, e deparo-me com uma interessante reportagem sobre a discussão, na Assembleia da República, da nova Lei do Aborto. O jornalista dá ênfase à intervenção de Zita Seabra. Mais de duas décadas depois do primeiro debate, em Portugal, sobre a interrupção voluntária da gravidez, em 1982, Zita Seabra está de volta às lides parlamentares. Mas desta feita, já não pela bancada comunista onde militou durante muitos anos, mas sim como eleita pelo PSD.
Momentaneamente, desvio os olhos da revista, e volto a recordar Natália Correia. Ela também participou nesse primeiro debate sobre a interrupção voluntária da gravidez, em 1982, como deputada eleita pelo PSD. Fervorosa defensora do “sim”, num debate “acalorado”, a deputada respondeu a um parlamentar do CDS em verso. O poema do “truca-truca” – é assim que ainda hoje é recordado. João Morgado, deputado do CDS, defendia em intervenção que “o sexo é para procriar”. A Deputada Poetisa, Natália Correia, não lhe perdoou, e de forma directa e satírica, respondeu-lhe em verso:
Já que o coito, diz Morgado
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca
temos na procriação
prova de que houve truca-truca,
sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou – parca ração! – uma vez
.”
Ao fim de quase duas horas e meia, finalmente, aterramos em Lisboa. Passam poucos minutos das quatro da tarde, e é hora de descansar um pouco. O primeiro jogo será em Oeiras, às nove da noite.
Depois de um merecido e retemperador descanso, a equipa parte em direcção a Oeiras. O ambiente é bom. Toda a equipa está confiante num bom resultado, apesar de consciente das enormes dificuldades que o Oeiras nos poderá colocar, especialmente por jogar no seu terreno.
Finalmente, às nove da noite, começa o jogo. A equipa do Oeiras, a jogar em casa, começa o jogo como se esperava, a pressionar e a tentar assumir as despesas do jogo. Por seu lado, o Candelária acaba por não entrar tão bem no jogo… mas rapidamente se recompõe!
O Oeiras é a primeira equipa a marcar…
O tempo passa, e o jogo vai decorrendo de uma forma um pouco estranha. Os jogadores da casa, incentivados pelo seu treinador, Jorge Vicente, Açoriano natural de Santa Maria, e ex-seleccionador Nacional, recorrem constantemente à falta para travar os homens do Candelária.
As únicas palavras que ouvem do Banco do Oeiras para dentro do Campo são “Faz falta pah… não o deixes jogar, faz falta! … é assim mesmo, empurra-o…”
É absolutamente inacreditável, ainda mais por vir de alguém como Jorge Vicente…
A dupla de arbitragem acaba por ser conivente com este tipo de jogo, não sancionando os jogadores prevaricadores disciplinarmente e, dessa forma, permitindo que o jogo se torne violento!
O jogo aproxima-se do fim e o resultado é um empate a dois golos… empate que manterá até ao apito final! A haver um vencedor, com justiça, seria certamente o Candelária, mas o empate prevalece.
Porém, o pior estava ainda para acontecer. A poucos segundos (não mais de 20) do final encontro, quando se isolava em direcção à baliza do Oeiras, o Mauro é brutalmente “ceifado” por um adversário, caindo de forma desamparada e violenta… Os árbitros nem falta marcaram, muito menos sancionaram o jogador do Oeiras por jogo violento. Uma vergonha!
Os segundos finais esgotam-se rapidamente… o Mauro continua caído no rinque, não se mexe. Quando chegamos junto dele constatamos que tem dores fortes na zona cervical, e que não se consegue mover.
Entretanto entram no campo os Bombeiros que se encontravam de serviço ao jogo que, rapidamente, prestam os primeiros cuidados ao “nosso Argentino”. Vivem-se momentos de grande preocupação.
O Clemente e a Mónica, são assim que se chamam o Paramédico e a Bombeira Voluntária que assistem o Mauro, com um cuidado e competência inatacáveis, imobilizam o jogador, num processo que, pela suspeita de uma lesão cervical, é naturalmente demorado.
Inacreditavelmente, enquanto é prestada a assistência médica ao Mauro, os Árbitros discutem, ali em pleno rinque, à frente de todos, o que deverão escrever no relatório. Um deles está visivelmente perturbado com a situação que se vive à volta do jogador do Candelária. O outro, mais “eléctrico”, quiçá também movido pelo nervosismo, esforça-se, com argumentos contraditórios e inacreditáveis, em “ensaiar” o colega sobre aquilo que deverá escrever no Relatório do Jogo. Repete constantemente as mesmas palavras sem sentido, mas o colega só passados longos minutos consegue esboçar uma reacção, pedindo às pessoas que entretanto tinham entrado no rinque para o abandonarem, permitindo logo de seguida que voltem a entrar…
Entretanto, passados longos minutos, o Mauro está completamente imobilizado. Puseram-lhe um colete cervical (julgo que é assim que se diz), e depois de colocado na maca, num movimento sincronizado em que também eu participo, é transportado para a ambulância que o transporta ao Hospital de São Francisco Xavier. A viagem é longa e demorada. A ambulância segue em marcha muito lenta, de forma a evitar qualquer movimento brusco que pudesse por em causa a débil integridade física do Mauro, naquele momento.
Depois de observado no Hospital, e de completar uma “bateria” de exames de diagnóstico, chega-se finalmente à conclusão de que efectivamente o jogador do Candelária tem um problema na Coluna Cervical, um problema congénito que nunca antes havia sido detectado, e que, em função da pancada violenta de que foi alvo, terá provocado a incapacidade de movimentos momentânea que sofreu o Mauro. O veredicto final do Ortopedista é tranquilizador. O problema que o Mauro tem na coluna não é grave, nem impeditivo da prática desportiva, pelo que, para além de muito dorido, o atleta está bem e pode regressar ao Hotel para junto da equipa, que o aguarda com ansiedade.
Não posso deixar de realçar o desempenho da Mónica e do Clemente, os bombeiros, que, mesmo estando de serviço à mais de 24 horas, foram incansáveis nos cuidados prestados ao nosso atleta, ainda no Pavilhão, na Ambulância a caminho do Hospital, e depois já no Hospital, de onde saíram só quando se teve a certeza de que tudo estava bem com o Mauro.
Uma palavra também, muito especial, para os profissionais de saúde do Hospital de São Francisco Xavier, que estavam de serviço naquela noite, pela forma como assistiram o Mauro. Foram um exemplo de profissionalismo e cordialidade, numa atitude a todos os níveis louvável, e que deveria constituir referência para muitas outras unidades de saúde deste País.
Uma palavra de apoio e incentivo para a Manuela, a “cara metade” do Mauro, que o acompanhou em todos os momentos, vivendo-os sob uma enorme pressão e ansiedade. E, também, o meu sincero agradecimento aos Pais do Ricardo Silva que nos acompanharam ao Hospital, e depois de regresso ao Hotel, tentando sempre, numa atitude sábia, transmitir calma e serenidade.
No Sábado, depois de uma retemperadora noite de sono, tudo estava mais calmo. Todos estávamos mais tranquilos. O Mauro, apesar de ainda muito combalido mostrava-se determinado a participar no jogo dessa tarde em Torres Vedras, o que nos deixava felizes, pois era essa a melhor indicação que ele estava efectivamente recuperado.
O dia passou-se com normalidade. Rapidamente chegou a hora de partir em direcção a Torres Vedras a fim de disputar o segundo jogo do fim-de-semana.
O adversário era a Física de Torres. Mais um jogo muito difícil.
Mas os homens do Candelária não se deixaram intimidar e, mesmo cansados do jogo da noite anterior, foram capazes de produzir mais um excelente jogo de Hóquei em Patins, levando de vencido o seu adversário por quatro a um.
No final, a satisfação era enorme. Estava ultrapassado um fim-de-semana muito difícil e pleno de emoções, com um resultado muito positivo.
Estão de parabéns os grandes homens que constituem o grupo de trabalho do Candelária Sport Clube, pela forma como encaram mais estes dois jogos, e pelos resultados obtidos.
Agora é tempo de descansar um pouco… Todos vão gozar uns dias de folga, voltando ao trabalho na próxima quinta-feira. No próximo fim-de-semana o CSC não joga, pelo que o regresso à competição só acontecerá no Sábado, dia 14 de Maio, no Pico, frente à equipa do Sesimbra.