quarta-feira, maio 04, 2005

Serenidade


"A serenidade não é feita nem de troça nem de narcisismo, é conhecimento supremo e amor, afirmação da realidade, atenção desperta junto à borda dos grandes fundos e de todos os abismos; é uma virtude dos santos e dos cavaleiros, é indestrutível e cresce com a idade e a aproximação da morte. É o segredo da beleza e a verdadeira substância de toda a arte.
O poeta que celebra, na dança dos seus versos, as magnificências e os terrores da vida, o músico que lhes dá os tons de duma pura presença, trazem-nos a luz; aumentam a alegria e a clareza sobre a Terra, mesmo se primeiro nos fazem passar por lágrimas e emoções dolorosas. Talvez o poeta cujos versos nos encantam tenha sido um triste solitário, e o músico um sonhador melancólico: isso não impede que as suas obras participem da serenidade dos deuses e das estrelas. O que eles nos dão, não são mais as suas trevas, a sua dor ou o seu medo, é uma gota de luz pura, de eterna serenidade. Mesmo quando povos inteiros, línguas inteiras, procuram explorar as profundezas cósmicas em mitos, cosmogonias, religiões, o último e supremo termo que poderão atingir é essa serenidade."

Hermann Hesse, in 'O Jogo das Contas de Vidro'

2 Comments:

Anonymous caiê said...

Um dos meus livros favoritos... A vida experienciada no seu pleno, nesse livro, e a ética como fio condutor. MUITO bom, mesmo!!! ;)

10:37 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Keep up the good work Order phentermine online Old lady russian roulette

1:00 da tarde  

Enviar um comentário

<< Home